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 O que significa a frase "ao vencedor, as batatas"?

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Retirada da literatura, de uma obra do escritor Machado de Assis, a frase acima traz uma curiosa explicação para justificar porque um vencedor merece ... Foto: Getty Images

Retirada da literatura, a frase acima traz uma curiosa explicação para justificar porque um ganhador merece o tubérculo como prêmio
Foto: Getty Images

Se você vencesse uma batalha, gostaria de receber homenagens e medalhas ou conseguiria contentar-se com batatas como prêmio pelo triunfo? Pois é exatamente isto o que sugere Machado de Assis no romance Quincas Borba: "Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas".

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O livro narra a trajetória de Rubião, professor que se torna rico de uma hora para outra ao receber uma herança deixada pelo filósofo Quincas Borba, criador de uma filosofia chamada Humanitismo.

Após receber a herança, Rubião deslumbra-se com a nova vida e acaba traído por um casal de amigos, que rouba sua fortuna. No final da vida, pobre e doente, ele relembra um ensinamento de Quincas Borba, que sintetiza o Humanitismo.

Para explicar sua teoria, o filósofo evoca uma história sobre duas tribos famintas diante de um campo de batatas, suficientes apenas para alimentar um dos grupos. Com as energias repostas, os vencedores podem transpor as montanhas e chegar a um campo onde há uma grande quantidade de batatas. Então, Quincas Borba finaliza: "Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas".

Quincas Borba faz, ainda, um comentário: "A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação". Para a professora de Literatura Brasileira Ana Maria Lisboa Mello, "a vitória de uma das tribos provoca hinos, alegrias e outros efeitos das ações bélicas e aponta para a conquista de outro território. Essas demonstrações revelam que o homem comemora aquilo que lhe é vantajoso ou aprazível, ainda que isso implique a ruína de outros".

De forma bastante resumida, a frase significa que os vencedores podem desfrutar das batatas nos campos de guerra, simplificando ao máximo o Humanitismo e seu preceito básico de que, na luta pela sobrevivência, quem vence é o mais forte.

Conforme a professora Ana Maria Lisboa Mello, "a teoria do Humanitismo é pessimista e aponta para o absurdo da existência, opondo-se à filosofia do Humanismo, que valoriza o homem, colocando-o no centro de tudo".

Com Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881) e Dom Casmurro (1899), o romance Quincas Borba, publicado em 1891, é considerado uma das obras-primas de Machado de Assis (1838-1908).

A filosofia do Humanitismo, desenvolvida de maneira mais detalhada em Quincas Borba, havia sido introduzida por esse mesmo personagem em Memórias Póstumas de Brás Cubas.

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Redação Terra