A única coisa certa da vida é a morte. Mas o que acontece depois dela? Essa questão é a chave para explicar o costume dos homens de enterrar seus mortos com cuidado e cerimônia.
Foi quando o cérebro dos primeiros hominídeos começou a se desenvolver que o homo sapiens - e seus parentes próximos, como o Neandertal -, passou a ter capacidade de pensar em algo mais do que achar comida, abrigo e se reproduzir, explica o professor de Pré-História da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) Klaus Hilbert.
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"A preocupação com o além começou há cerca de 100 mil anos, quando o homem começou a se perguntar de onde veio e para onde vai. Com isso, passou a cuidar dos mortos", diz Hilbert.
Outros hominídeos menos desenvolvidos simplesmente largavam seus mortos pelo caminho, conta o professor. Isso é notado em seus fósseis, encontrados com pedaços mais distantes entre si. Fósseis humanos aparecem com mais freqüência em covas em locais protegidos, principalmente em cavernas.
A questão toda está relacionada à capacidade de pensar - que está ligada ao tamanho do cérebro, que nos hominídeos começou a crescer há 2 milhões de anos. A utilidade do órgão ocupar tanto espaço e gastar tanta energia, explica Hilbert, era desenvolver as capacidades de entender o mundo - por exemplo, ler os sinais deixados por outros animais - e se comunicar.
Parentes na árvore da evolução, o homo sapiens e o Neandertal compartilharam o costume de enterrar mortos - arqueólogos encontraram até flores na cova de um Neandertal, conta Hilbert. "A consciência da morte facilitou bastante o trabalho dos pesquisadores, que passaram a encontrar fósseis reunidos", pondera o professor.
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- Redação Terra


