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26 de agosto de 2010 • 08h22 • atualizado às 08h32

Uma baleia pode cruzar e ter filhotes com um golfinho?

Dois wolphins brincam em parque no Havaí
Foto: Reuters

Uma coisa eles têm em comum: são mamíferos que vivem no mar. Mas as diferenças são enormes, principalmente no tamanho. De um lado, o maior ser vivo do nosso planeta, a baleia. De outro, o brincalhão e esperto golfinho. Pois pode parecer conversa de pescador, mas esses dois animais podem cruzar e ter filhotes. Não apenas isso, o híbrido de baleia e golfinho é fértil - pode se reproduzir.

O problema é que quando pensamos em baleias lembramos logo dos gigantes, mas esquecemos que existem muitas espécies menores, como, por exemplo, a falsa-orca (Pseudorca crassidens). Segundo o biólogo Roberto do Val Vilela, do setor de mamíferos do Zoológico de São Paulo, a falsa-orca pode cruzar com o golfinho-nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus). O resultado é chamado de wolphin (do inglês whale e dolphin).

A falsa-orca, assim como a orca e a gigante cachalote, faz parte das chamadas baleias com dentes, que são muito mais próximas dos golfinhos do que outras baleias, como a azul. Todos estes animais são cetáceos, mas as baleias com dentes e os golfinhos fazem parte da subordem Odontoceti, enquanto as outras estão na Mysticeti. A principal diferença entre eles é que os animais da segunda subordem têm cerdas de material queratinoso no lugar dos dentes - este material permite que eles filtrem a água para recolher alimento.

Mesmo dentro da subordem Odontoceti, a falsa-orca é mais próxima dos golfinhos, pertencendo, inclusive, à mesma família (Delphinidae), o que explica a possibilidade de cruzamento entre as duas espécies.

De acordo com Vilela, o DNA duas espécies possui até o mesmo número de cromossomos (44). Apesar de existirem relatos de que esse animal foi visto na natureza, são conhecidos apenas dois exemplares e ambos vivem no Sea Life Park, no Havaí.

O mais velho é Kekaimalu, uma fêmea que nasceu em 15 maio de 1985, resultado do cruzamento de um golfinho fêmea chamada Punahele que dividia sua piscina com um macho de falsa-orca chamado Tanui Hahai. Kekaimalu teve três filhotes, o primeiro tendo morrido em poucos dias. O segundo nasceu em 1991, era uma fêmea e foi chamada de Pohaikealoha.

Kekaimalu cuidava do filhote, mas não o amamentava, o que acabou ficando a cargo dos tratadores. Pohaikealoha morreu aos 9 anos e, em 23 de dezembro de 2004, nasceu o terceiro filhote da wolphin, uma fêmea chamada de Kawili Kai, filha de um nariz-de-garrafa macho. Ao contrário do segundo, este filhote foi amamentado pela mãe e, em poucos meses, tinha o tamanho de um nariz-de-garrafa de 1 ano.

Mas, como é um wholphin? Ele é, de certa forma, uma mistura dos pais. "O wholphin possui tamanho, cor e formato intermediários entre as espécies parentais. Ela possui 66 dentes, número intermediário entre o nariz-de-garrafa (88 dentes) e a falsa-orca (44 dentes)", diz o biólogo.

Os dois wolphins podem ser encontrados no parque, sendo que Kekaimalu é destaque nos shows de golfinhos do Sea Life.

Vilela diz ainda que a hibridação não ocorre sempre de forma natural, sendo a maioria dos híbridos conhecidos criada em cativeiro - apesar de muitas vezes isso ocorrer de forma acidental. A criação de híbridos em cativeiro é bastante discutida e pode ser considerada antiética.

O dono de um zoológico em Taiwan, por exemplo, corre o risco de ser multado pelo cruzamento entre um leão e uma tigresa. O criador diz que foi surpreendido com o cruzamento. Os filhotes sofrem de problemas genéticos, sendo que dois já morreram desde o nascimento e o terceiro ficou em estado crítico de saúde.

Mas, se um cruzamento tão inusitado pode ocorrer, que outros tipos de híbridos são conhecidos? Vimos que um leão pode cruzar com uma tigresa, mas e o contrário? E um leão com um leopardo? Um urso polar com um urso pardo? Dromedário com lhama? Zebra com cavalo? E os peixes, podem ter filhotes híbridos? Veja outros cruzamentos inusitados na aba "Fotos" acima.

Redação Terra