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01 de dezembro de 2011 • 15h53 • atualizado em 02 de Dezembro de 2011 às 15h54

Sintomas, riscos, tratamento: veja 10 verdades sobre a aids

Sintomas, riscos, tratamento: veja 10 verdades sobre a Aids

No Dia Mundial de Prevenção contra a Aids, homem realiza teste do vírus HIV em hospital da China
Foto: Terra
 

Inúmeros avanços nas pesquisas científicas não livraram o mundo da aids. Ainda que o acesso à informação e aos tratamentos tenha sido facilitado, o número de infectados continua preocupando os órgãos de saúde - nos últimos anos, deixou de se concentrar em grupos específicos para atingir qualquer cidadão que se exponha a situações de risco.

Celebrado em 1º de dezembro, o Dia Mundial de Prevenção contra a Aids tem o objetivo de chamar a atenção para as formas de transmissão do vírus HIV, causador da doença. A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) e busca mobilizar órgãos públicos, imprensa e sociedade na luta contra a epidemia. Veja abaixo dez verdades sobre a aids.

1. Os primeiros sintomas são iguais aos de uma gripe
Logo que ocorre a infecção pelo vírus da aids, o sistema imunológico começa a ser atacado. Segundo o Ministério da Saúde, nessa primeira fase, conhecida como infecção aguda, ocorre a incubação do HIV - denominação para o período de exposição do vírus até que surjam os primeiros sinais da doença.

Normalmente, isso ocorre entre três e seis semanas depois de alguma prática de risco, quando o infectado apresenta sintomas parecidos com os de uma gripe, como febre e mal-estar. Por isso, em muitos casos, o início da doença passa despercebido.

2. Não é possível eliminar o vírus do corpo humano
Mesmo com os avanços tecnológicos, ainda não existe cura para o vírus HIV, causador da aids. Ainda assim, os tratamentos utilizados podem garantir aos soropositivos uma vida normal. Por isso, após receber o diagnóstico de infecção por HIV, o portador deve procurar atendimento médico. Quando o especialista achar necessário, o paciente deve começar a tomar os remédios corretamente, no mesmo horário - mesmo que surjam efeitos colaterais. Após o início do tratamento com medicamentos antirretrovirais, alguns soropositivos podem precisar trocar as combinações de medicamentos, chamadas de coquetel.Segundo o Ministério da Saúde, existem fatores que podem interferir no tratamento, como intolerância, má adesão, uso prévio de combinações inadequadas e resistência primária do HIV. Nesses casos, o paciente deve ser submetido a um teste de genotipagem, que indica os medicamentos aos quais a pessoa ficou resistente.

3. Quem tem HIV não necessariamente tem aids
Há casos em que o portador do vírus HIV não pode ser considerado um paciente com aids. O HIV é a porta de entrada para a doença, pois prejudica o sistema imunológico. De acordo com psicólogo e coordenador do polo de prevenção de DST/Aids da Universidade de Brasília (UnB), Mário Ângelo Silva, a doença é caracterizada pelo desenvolvimento de doenças oportunistas, que se aproveitem da fraqueza do sistema imunológico para atacar o organismo do paciente.

"Uma pessoa pode passar 15 anos sem precisar recorrer ao tratamento, porque, mesmo que seja portadora do vírus HIV, não desenvolveu uma doença oportunista e, por isso, não tem Aids", explica. Silva afirma que começar o tratamento varia de acordo com o paciente, e que essa deve ser uma decisão do médico, que se baseia em exames clínicos e imunológicos para iniciar ou não a administração de medicamentos.

4. Aids é um estado, não uma condição permanente
Segundo o psicólogo da Universidade de Brasília (UnB), Mário Ângelo Silva, do ponto de vista médico, uma pessoa só é considerada aidética no momento em que desenvolve uma doença oportunista ou, então, quando os exames apontam fraqueza em seu sistema imunológico. "Ao ser curada, ela deixa de ser um paciente com aids e volta à condição de portadora de HIV", diz.No entanto, essa convenção não vale para os dados divulgados a respeito da doença: para o Ministério da Saúde, a primeira incidência de doença oportunista já eleva o paciente à categoria de aidético - e ele passa a fazer parte dos números divulgados pelo órgão.

5. Não há grupo de risco
O Ministério da Saúde já não considera a existência de grupos de risco. Essa diferenciação era usada no começo da epidemia, pelo fato de a aids atingir principalmente homens homossexuais, usuários de drogas injetáveis e hemofílicos. Na época, esses eram considerados os grupos de risco. Atualmente, a definição "comportamento de risco" é mais apropriada, já que, segundo o ministério, o vírus deixou de se concentrar em grupos específicos e hoje se espalha de forma geral.

O órgão aponta que, nos últimos anos, o número de heterossexuais infectados por HIV tem aumentado proporcionalmente à epidemia, principalmente em mulheres. Esse panorama é resultado de relações sexual (homo ou heterossexual) com pessoas infectadas sem uso de preservativos, além de outros comportamentos que deixam o usuário suscetível à contaminação, como o compartilhamento de seringas e agulhas, principalmente no uso de drogas injetáveis, além da reutilização de objetos perfurocortantes com presença de sangue ou fluidos contaminados pelo HIV.

6. Um casal sorodiscordante pode ter filhos
Há casos de casais sorodiscordantes, em que um dos cônjuges é portador do vírus e o outro não. Nessa situação, o desejo de ter filhos está aliado a uma situação de risco: o sexo sem camisinha. O preservativo garante o máximo de proteção durante as relações sexuais, mas é possível que uma mulher soropositiva abra mão do método e engravide de um parceiro saudável sem infectá-lo durante a relação. O psicólogo e coordenador do polo de prevenção de DST/Aids da Universidade de Brasília (UnB), Mario Ângelo Silva, alerta que um casal sorodiscordante deve abolir a camisinha apenas para gerar filhos - e precisa se preparar para isso. "O casal tem que passar por um acompanhamento médico e psicológico, tirando o preservativo apenas no momento em que a carga viral do infectado esteja baixa e o sistema imunológico dos dois esteja fortalecido", diz.

Também é possível evitar que a mãe soropositiva infecte o bebê. Silva afirma que o feto é concebido sem HIV, mas pode ser infectado principalmente na hora do parto ou da amamentação. Para que isso não aconteça, a mãe deve receber acompanhamento médico e tomar um antirretroviral durante toda a gravidez. "Se ela passar por um tratamento pré-natal, a probabilidade de o bebê ser infectado é menor do que 3%", afirma.

7. No Sul do País, está a maior incidência de novos casos de HIV
Conforme dados divulgados pelo Ministério da Saúde recentemente, a incidência de aids é maior em municípios da região Sul do Brasil. Na lista das cidades com mais de 50 mil habitantes, os Estados do Sul ocupam as 14 primeiras posições no ranking de casos de aids proporcionais à população do local. A região concentra 14% da população do País e representou, em 2010, 23% dos casos diagnosticados, além de apresentar a maior taxa de incidência de HIV: 28,8 mil casos para 100 mil habitantes. Porto Alegre lidera a lista, seguida por outras 13 cidades localizadas no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná.

O psicólogo e coordenador do polo de prevenção de DST/Aids da Universidade de Brasília (UnB), Mário Ângelo Silva, aponta ainda as regiões Norte e Nordeste como mais vulneráveis ao vírus. "Nessas duas regiões, muitos moradores não têm acesso à informação e, por isso, acabam não se prevenindo", diz. Silva afirma que, mundialmente, a África segue liderando a lista de região com maior incidência de casos de IHV. "A pobreza, falta de informações e péssima qualidade de vida na África Subsaariana são algumas das causas do alto número de infectados", explica. "Ao contrário do Brasil, na África, os medicamentos não são gratuitos, e isso também eleva o número de óbitos."

8. Número de novos casos caiu
Mesmo com o panorama da região Sul, o Brasil apresentou redução no número de novos casos de HIV - eram 35.979 em 2009 contra 34.212 no ano passado. Em escala global, o panorama é semelhante: o número de contaminações com o vírus da aids diminuiu 21%, contabilizando 2,67 milhões de casos em 2010. Os dados fazem parte do relatório anual do Unaids, o programa das Nações Unidas dedicado ao combate à aids, e apontam que o número de óbitos também caiu. Em 2010, 1,8 milhão de pessoas morreram em decorrência da doença, enquanto em 2006 os óbitos devido à infecção atingiram 2,2 milhões.

Contudo, o coordenador do polo de prevenção de DST/Aids da UnB garante que não há como definir com precisão o número de infectados. "As pessoas só procuram auxílio médico e se mostram dispostas a fazer o exame quando os sintomas ficam evidentes", pontua. "Mesmo que não tenha manifestado qualquer sintoma, o infectado pode transmitir o vírus da aids". Por isso, é extremamente importante, além de se prevenir, realizar exames que podem apontar a existência do vírus. Além de garantir a qualidade de vida do paciente, o acompanhamento médico desde cedo pode evitar que outras pessoas sejam contaminadas.

9. Ninguém morre de aids
O vírus HIV, causador da aids, ataca o sistema imunológico, fazendo com quem o paciente esteja vulnerável a doenças. Contrariando o conhecimento popular, a aids não mata. De acordo com o Ministério da Saúde, o que mata são as doenças oportunistas que o HIV positivo contrai.

Por conta disso, o soropositivo deve cuidar da alimentação, praticar exercícios físicos e estar bem emocionalmente, o que dificulta a contaminação por resfriados, gripes e problemas gastrointestinais, que podem evoluir para doenças mais graves. São consideradas doenças oportunistas, entre outras: infecções causadas por fungos na pele, boca e garganta; diarreia crônica por mais de 30 dias, pneumonia, tuberculose disseminada, neurotoxoplasmose, naurocriptococose, citomegalovirose e pneumocistose.

10. Um soropositivo pode viver normalmente
Mesmo que seja portador do vírus HIV, o paciente pode levar uma vida normal. Se antes o diagnóstico era prontamente associado à morte, hoje, a expectativa de vida do soropositivo pode se equivaler a de uma pessoa saudável - mas, para isso, é preciso seguir o tratamento com disciplina. É o que garante o psicólogo Mário Ângelo Silva. "Muitas pessoas desenvolvem doenças oportunistas, são curadas e continuam vivendo normalmente, mesmo que o vírus ainda esteja em seu corpo", diz. "Justamente por isso não há estimativa de sobrevida em casos de HIV. Tudo depende do tratamento realizado e da qualidade de vida do paciente, mas ele pode levar uma vida normal." Segundo o Ministério da Saúde, o tempo de vida pós-infecção varia de acordo com as características do indivíduo. Algumas pessoas usam o coquetel durante anos e continuam gozando de boa saúde, enquanto outras apresentam complicações mais cedo e tem reações adversas aos medicamentos. Existem também casos em que o paciente, mesmo com os remédios, acaba contraindo doenças oportunistas.

Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra