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29 de março de 2012 • 08h57 • atualizado às 11h07

Qual é o mais mortífero dos venenos?

O Botox é feito da mais mortal das toxinas
Foto: Getty Images

Cianeto, arsênico, estricnina e mais. Muitos são os venenos conhecidos por matar uma pessoa, mesmo em uma quantidade muito pequena. Segundo o professor Fabio Bucaretchi, do Centro de Controle de Intoxicações de (CCI) do Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), um dos modos de medir quão perigosa é uma substância é a dose letal mediana (DL50), que indica quanto de um veneno é necessário para matar. Em geral, quanto menor for o DL50, mais perigosa é a substância. Neste caso a mais conhecida é a toxina botulínica, o popular Botox, que paralisa os músculos do corpo.

Utilizada em tratamentos estéticos - nesse caso, a dose controlada relaxa ao invés de paralisar o músculo desejado -, a toxina é produzida pela bactéria Clostridium botulinum. Bucaretchi afirma que esse micro-organismo é anaeróbico - ou seja, só vive em ambientes sem oxigênio - e pode ser encontrado em alimentos estragados. Quando a embalagem de comida enlatada, por exemplo, está estufada, pode estar contaminada com a toxina botulínica. Segundo informações da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, essa substância tem uma DL50 de 0,0011 micrograma por quilo - em outras palavras, é necessária essa quantidade para cada quilo do animal para mata-lo.

O professor adverte, contudo, que essa medida é feita com o uso de animais em estudos. Portanto, uma toxina pode ser mais perigosa para as cobaias, mas nem tanto para o ser humano, e vice-versa. Bucaretchi destaca outras toxinas que também são muito perigosas, como o cianeto. Esse veneno pode ter origem vegetal - como na chamada mandioca brava -, mas também pode ter outras fontes.

O professor afirma que a queima de plástico, por exemplo, pode liberar cianeto em forma de gás. Curiosamente, a substância está em algumas sementes e caroços de frutas que consumimos, como na maçã, mas sem nos prejudicar, já que a dose é muito pequena e a semente passa incólume pelo nosso organismo.

Já a tetrodoxina é produzida por alguns animais, sendo o mais conhecido o peixe baiacu, apreciado no Japão. A substância causa paralisia nos músculos e mata por insuficiência respiratória. Acredita-se que o paciente, apesar de totalmente paralisado, continua consciente. No país oriental, somente pessoas treinadas podem preparar a carne do baiacu. A DL50 da tetrodoxina é de 8 microgramas por quilo.

No CCI, o professor afirma que um dos venenos que mais matam é o raticida conhecido como chumbinho. A fórmula varia conforme a região, muitas vezes feito com carbamato aldicarb, usado como agrotóxico, mas proibido em muitos países devido a ter uma DL50 muito baixa. Em seu site, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alerta que esse produto é proibido e "não deve ser utilizado sob nenhuma circunstância".

Bucaretchi, contudo, alerta que qualquer substância pode ser perigosa, ainda mais se usada e ou consumida sem cuidado. "Até água mata. Depende da quantidade a que você vai estar exposto", diz o professor.

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