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O que é geada negra? Entenda fenômeno que deve atingir o País

A geada que mata as plantações deve trazer mais prejuízos para as culturas de hortaliças, fumo e eucaliptos. Previsão é de que fenômeno ocorra hoje

23 jul 2013 11h29
| atualizado às 12h09
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<p>A geada negra é mais intensa que a branca (na foto, a cidade gaúcha de Caxias do Sul) porque congela a planta internamente, e não apenas a sua superífice</p>
A geada negra é mais intensa que a branca (na foto, a cidade gaúcha de Caxias do Sul) porque congela a planta internamente, e não apenas a sua superífice
Foto: Luca Erbes / Futura Press

Enquanto a neve encanta os turistas e os moradores dos Estados do Sul do Brasil desde segunda-feira, outro fenômeno decorrente do frio intenso preocupa autoridades e agricultores da região. Trata-se da geada negra, que segundo meteorologistas deve atingir as regiões mais altas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná esta semana, principalmente na noite desta terça-feira.

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Segundo o meteorologista Glauco Freitas, da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Sul (Fepagro), a geada negra recebe esse nome porque queima as plantas por dentro, deixando-as com aparência escura. "A geada branca é mais comum e não causa tantos prejuízos porque ela congela a planta por fora", diz ele, ao afirmar que a geada negra acontece apenas quando são combinados a baixa temperatura – menos de 0°C –, com os ventos intensos e ar seco.

A meteorologista Marilene de Lima, do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa Catarina (Ciram), afirma que no dia 26 de setembro do ano passado o fenômeno foi registrado na cidade catarinense de São Joaquim. Naquela ocasião, o frio de -3°C veio combinado com ventos de 106 quilômetros por hora. Para esta terça-feira, a previsão é de geada negra no planalto sul-catarinense, meio oeste e planalto norte, além da serra sudeste e região central do Rio Grande do Sul, e pontos mais altos do Paraná.

Marilene explica que os danos à agricultura são provocados porque a baixa temperatura e o vento intenso causam o rápido congelamento da seiva da planta, provocando a morte do vegetal. Clauco Freitas lembra que, ao contrário da neve – que ocorre quando há humidade – a geada acontece com o tempo seco. "As pessoas costumam dizer que 'caiu geada', mas a geada não cai do céu, ela se forma na superfície", diz. Segundo ele, a o fenômeno acontece quando a superfície perde calor para a atmosfera, sua temperatura baixa e acaba congelando.

De acordo com o agrônomo Airton Spies, secretário-adjunto de Agricultura de Santa Catarina, os prejuízos para os agricultores não devem ser tão intensos. "Nesta época do ano as plantas frutíferas estão em fase de dormência e precisam do frio para se desenvolver. Já as culturas de inverno, como o trigo, cevada, aveia e azevém, ainda não estão em fase de florescimento e enchimento de grão, então o frio acaba sendo bem-vindo".

No entanto, ele alerta que as hortaliças, o fumo e o cultura de reflorestamento, principalmente as plantas jovens de eucalipto, queimam com a geada intensa. "Não podemos esquecer outro aspecto, que é a produção animal. Se os animais não forem devidamente abrigados, podem perder peso e produzir quantidade menor de leite", afirma.

Em 1975, a ocorrência de geada negra no Paraná trouxe consequências econômicas e sociais que mudaram o perfil da agricultura no Estado. Plantações inteiras de café – que na época era o principal produto produzido na região - foram completamente destruídas após o fenômeno, provocando intenso exôdo rural.

Fonte: Terra
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