Veja cinco filmes para entender a história e o contexto de 1968

29 mai 2012
08h29

Os Estados Unidos estavam em guerra com o Vietnã e agitados com o assassinato do líder negro Martin Luther King Jr. Na Europa, uma onda de revoltas estudantis impactava os países. O Brasil entrava numa fase de endurecimento do regime militar, o que resultou em censura política e forte repressão policial. O que esses acontecimentos têm em comum? Todos ocorreram no ano de 1968.

O filme Batismo de Sangue, baseado no livro de Frei Betto, se passa durante a ditadura militar no Brasil
O filme Batismo de Sangue, baseado no livro de Frei Betto, se passa durante a ditadura militar no Brasil
Foto: Estevam Avellar / Divulgação

Embora existam muitos fatos a se lamentar, o ano representa também importantes conquistas e transformações sociais como a igualdade de direitos civis, a libertação sexual, o reconhecimento das lutas dos estudantes e da diversidade cultural. A agitação dos países ocorreu o ano todo, mas foi no mês de maio que as manifestações ocorreram com maior intensidade.

O cinema, que também tem o papel de ser um reflexo da sociedade, não deixou de explorar esse importante período. Conheça, a seguir, cinco filmes que o ajudarão a compreender e recordar o que significou o ano de 1968 para a história da humanidade.

Hair (de Milos Forman)

Conforme o professor de sociologia da Universidade de Brasília Elimar Nascimento, a década de 1960 é a mais importante do século 20 por um conjunto de eventos. Entre eles, aponta o surgimento do movimento hippie, que tinha como um de seus slogans "é proibido proibir".

O movimento está presente no filme Hair. Lançado em 1979 nos Estados Unidos, é uma adaptação do musical homônimo encenado na Broadway. O filme narra a trajetória de um jovem interiorano que, ao passar por Nova York antes de se apresentar ao exército para a Guerra do Vietnã, conhece um grupo de hippies, com os quais passa a conviver e muda o seu conceito sobre a guerra e sobre sua própria vida.

As características que compõem esses grupos de jovens são apresentadas no filme, como o uso livre de drogas, a liberdade sexual e a realização de protestos contra o racismo e contra a guerra do Vietnã. Com letras que criticam a sociedade norte-americana e que pregam "paz e amor", algumas músicas do filme se tornaram hinos da contracultura, como Let the Sunshine In e Aquarius.

A insustentável leveza do ser (The Unbearable Lightness of Being, de Philip Kaufman)

Baseado no romance de Milan Kundera, o filme de Philip Kaufman foi lançado em 1988 nos Estados Unidos. A obra se passa na Tchecoslováquia, durante a Primavera de Praga, movimento político iniciado em 1968 que tinha o objetivo de humanizar o sistema político do país.

A narrativa acompanha a trajetória de Tomas (Daniel DayLewis), um jovem cirurgião mulherengo, e seu conturbado relacionamento com duas mulheres de personalidades avessas: a garçonete interiorana Tereza (Juliette Binoche) e a ousada artista plástica Sabina (Lena Olin). Ao narrar esse triângulo amoroso, política, sexo e reflexões existencialistas se misturam em cada cena. "É um filme com forte conotação sexual que aborda bem o contexto político que a República Tcheca estava passando", afirma o coordenador do Cursinho da Poli, Elias Feitosa.

Os sonhadores (The dreamers, de Bernardo Bertolucci)

Lançado em 2003, o filme de Bernardo Bertolucci narra a trajetória de um jovem americano chamado Matthew (Michael Pitt), que vai estudar em Paris em 1968, ano que eclodiram os protestos estudantis na França, se espalhando por diversos países. E é justamente em meio às manifestações estudantis que Matthew conhece os irmãos gêmeos Isabelle (Eva Green) e Theo (Louis Garrel). O relacionamento, que mistura amizade e sexo entre os jovens, demonstra a efervescência política, cultural e comportamental que vigorava nas ruas de Paris naquela época.

Os Educadores (Edukators, de Hasn Weingarther)

O filme, lançado em 2004 na Alemanha, acompanha um grupo de jovens que se autodenominam "educadores" e que compartilham a ambição de mudar o mundo. Para isso, promovem um inusitado tipo de manifestação: invadem mansões, sem roubar nada, trocam móveis de lugar e deixam mensagens de protesto como "seus dias de fartura estão contados". A obra discute as revoluções sociais e sua conexão com o ano de 1968 se dá com o encontro entre os jovens e um ex-revolucionário da década de 1960.

Segundo o professor Feitosa, da Poli, trata-se de uma crítica à sociedade conservadora europeia, apresentada de forma semelhante às manifestações promovidas pelos jovens de 1968. "O que muda é o ambiente e o período em que as ações são feitas, uma vez que o filme se passa em Berlim após a reunificação da Alemanha", explica.

Batismo de Sangue (Marcélia Cartaxo)

Em 1968, o então presidente Arthur da Costa e Silva promulgou o Ato Institucional número 5, o polêmico AI-5, que continha medidas repressoras pelo regime militar como a cassação de mandatos políticos, o fechamento do Congresso e a proibição de manifestações públicas. Um filme cuja história se passa nesse conturbado período da ditadura militar é Batismo de Sangue, de Marcélia Cartaxo.

Baseado no livro de Frei Betto, o filme conta a história de Frei Tito e o envolvimento de frades dominicanos com o líder revolucionário Carlos Marighella. O engajamento dos seminaristas contra o regime militar resultou em torturas e prisões. O trauma levou Tito a se suicidar quando vivia França. "É um filme de cenas fortes que reflete de forma nítida e fiel o que se passou na ditadura naquele período", afirma Feitosa.

Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra
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