vc repórter: sem visto, alunos de federais criam abaixo-assinado

10 out 2012
12h03
atualizado às 12h21

A greve nas universidades federais no Brasil, que durou quatro meses, prejudicou um grupo de universitários que iria participar do programa de trabalho temporário nos Estados Unidos de dezembro de 2012 a fevereiro de 2013. Os jovens não poderão viajar já que o visto não será concedido pelo governo norte-americano, pois a temporada no exterior coincide com a reposição de aulas perdidas durante a paralisação das universidades. Para tentar reverter a situação, eles criaram um abaixo-assinado que, até a manhã desta terça-feira, contava com mais de 4 mil assinaturas.

Estudante do 3º ano de medicina na Universidade Federal de São Paulo, Isabela Paixão Rodrigues, 21 anos, conta que o processo seletivo para trabalhar na Disney, na Flórida, teve início em maio e, que, após palestra e entrevistas foi aprovada para o programa em agosto.

"Desde maio estou participando do processo de seleção para trabalhar na Disney, a viagem seria uma experiência única e extremamente enriquecedora. Conheci um monte de gente durante a seleção, fizemos planos e gastamos muito dinheiro, até que, na semana passada, o consulado enviou esse comunicado informando que nós, das universidades federais, estávamos proibidos de agendar a entrevista para o visto J1 por causa da greve, que nos obriga a ter aulas no período das férias", explica.

Diante da informação, a estudante e outros alunos que vivem a mesma situação, criaram uma página no Facebook, um perfil no Twitter e um abaixo-assinado, solicitando à Embaixada dos Estados Unidos no Brasil que reveja a determinação e que receba os estudantes para a entrevista.

Luiz Valério Neto, 20 anos, estudante do 2º ano de engenharia da computação na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), é mais um dos jovens que não terá o visto concedido.

"Solicitei um documento junto à universidade para comprovar que eles apoiam o intercâmbio e que irão fazer o máximo para diminuir os danos. Estou passando em vários departamentos e também na pró-reitoria para, depois, apresentar essa carta na agência de viagens e ver se eles conseguem solicitar o meu visto", conta.

Em nota, o STB - Student Travel Bureau, uma das agências de viagem que promove o Disney International College Program, informou que a decisão normativa do consulado é soberana e extrapola sua esfera de atuação, por isso a determinação anunciada será seguida mesmo estando contra os seus interesses e de seus clientes.

O STB informou também que ao longo das etapas do processo seletivo do programa, todos os participantes estavam cientes de que, caso ocorresse alguma alteração no calendário acadêmico que comprometesse o embarque na data determinada para o programa, o status da participação poderia ser reavaliado. No momento, a empresa trabalha em cada caso para orientar pessoalmente os estudantes. Eles terão o valor pago pela assistência médica internacional devolvido integralmente e poderão remarcar a passagem aérea no período de um ano ou reembolsar o valor com custo em torno de US$ 150.

Em contato com o Terra, a Embaixada dos Estados Unidos esclareceu que mesmo com o abaixo-assinado o visto não poderá ser concedido já que estar no período de férias longas é pré-requisito para participar do programa. A embaixada informou também que a determinação atingiu a maioria dos alunos das universidades federais. A exceção ficou para os alunos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), que não tiveram o calendário alterado significativamente.

A embaixada reiterou ainda que nenhum estudante teve o visto negado, eles foram apenas notificados de que não obteriam a autorização para entrar nos Estados Unidos. Dessa forma, nenhuma taxa foi paga para embaixada e não houve entrevistas e nem avaliações de casos individuais.

A internauta Isabela Paixão Rodrigues, de São Paulo (SP), participou do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.

O abaixo-assinado já recebeu mais de 4 mil assinaturas
O abaixo-assinado já recebeu mais de 4 mil assinaturas
Foto: Reprodução
vc repórter
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