publicidade
04 de julho de 2013 • 14h58 • atualizado em 05 de Julho de 2013 às 11h48

vc repórter: prefeitura de SP encerra convênio com creche; pais protestam

Em faixa, moradores protestam contra decisão da prefeitura em desconveniar creche do Campo Limpo
Foto: Devanir Amâncio / vc repórter
 

A prefeitura de São Paulo encerrou nesta semana o convênio que tinha com o Centro de Educação Infantil (CEI) Brincar Para Crescer, que atendia 270 crianças na avenida Carlos Lacerda, na região do Campo Limpo, zona sul da cidade.

De acordo com a prefeitura, a decisão de encerrar a parceria, iniciada em fevereiro, foi tomada em razão de irregularidades nos documentos apresentados pela Associação e Centro de Apoio Social e Educacional Talita de Sá Serrano, mantenedora da creche.

Segundo a prefeitura, todas as crianças serão transferidas ao fim do recesso para o CEI Jardim Maria Sampaio “sem prejuízo algum para alunos e familiares”. A prefeitura alega que a entidade havia sido orientada pela Diretoria Regional de Educação do Campo Limpo a manter os pais informados sobre a mudança.

“No entanto, a entidade desacatou a orientação, ligou para os pais dizendo que seus filhos ficariam sem atendimento e convocou uma manifestação, sem revelar os reais motivos do desligamento”, disse em nota a administração municipal.

Entre as irregularidades, estariam a apresentação de um falso laudo de funcionamento do Corpo de Bombeiros, adaptações não feitas no prédio, má qualidade da merenda, falta de pagamento e qualificação de professores. “A Secretaria Municipal de Educação não vai permitir convênio com entidades que colocam em risco a integridade das crianças”, disse o órgão que pretende denunciar a equipe por mau uso do dinheiro público. 

Creche rebate acusações
Para Beatriz Antunes de Sá, mãe de Talita de Sá, que é mantenedora da creche, a postura da prefeitura é uma tentativa de desqualificar a creche e justificar o fim do convênio aos pais das crianças. “Mas quando os pais do Jardim Maria Sampaio souberem que as vagas da creche de lá vão para as crianças daqui, vai se criar outro problema. Eles não têm vagas para todas as crianças lá”, opina.

Pais de crianças da creche Brincar para Crescer protestaram na última quarta-feira contra o fim do convênio com a prefeitura de São Paulo
Foto: Devanir Amâncio / vc repórter

Sobre o laudo do Corpo de Bombeiros, Beatriz disse ter sido procurada por um cidadão que se prontificou a fazer o laudo. “Ele apareceu na creche dizendo ter sido indicado, me cobrou R$ 700 e não apareceu com o documento... simplesmente desapareceu. Eu mesma fui à polícia e comuniquei que eu tinha sido lesada, e a polícia me orientou a como proceder. Confesso que fui muito ingênua, mas fomos vítimas de um golpe. A polícia já deu esse retorno para a prefeitura, e eles sabem que não houve má fé. Um tenente veio averiguar, e o laudo está pronto, estou só esperando chegar”, diz Beatriz.

Beatriz nega que o Diretório tenha pedido à creche que comunicasse aos pais sobre o descredenciamento. “Eles (Diretório Regional) disseram justamente o contrário. Pediram que não avisássemos aos pais, pois tomariam conta disso. Por isso ficaram surpresos quando viram que contamos que a creche iria ser desconveniada”, afirma.

A creche rebate ainda as acusações quanto à qualidade da merenda e falta de pagamento aos professores. “Quem manda a merenda é a prefeitura, eles são os responsáveis. Então se tem algo ruim, a reponsabilidade é deles. Eles enviam produtos de quinta categoria, e quem direciona o cardápio é a nutricionista deles”, argumenta Beatriz.

Além disso, “para receber uma verba, tenho que apresentar a prestação de contas do mês anterior, e ela tem que estar correta. Então a informação não é verdadeira. O último pagamento, inclusive, já foi liberado”, diz Sá, que alega ainda ter feito “todas as adequações necessárias, apresentado sua defesa e enviado as fotos das melhorias realizadas”.

Segundo Beatriz, apesar de ter ajudado a organizar o protesto, a manifestação da última quarta-feira foi uma iniciativa dos pais. “Tive que inteirar e orientar (os pais). Cerca de 200 pessoas participaram do protesto, que teve início por volta das 6h30 na frente da creche. De lá, teve início uma caminhada pela avenida Carlos Lacerda, e os manifestantes se posicionaram em frente ao CEU Campo Limpo”, relata Beatriz. "Eles queriam protestar na segunda-feira, quando contei a eles  sobre o fim do do convênio, mas como estava chovendo, foi adiado parar ontem", diz. 

O internauta Devanir Amâncio, de São Paulo (SP), participou do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.

vc repórter