Educação

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09 de junho de 2009 • 11h12 • atualizado às 12h14

Unicef: indígenas enfrentam dificuldade no acesso à educação

 

Relatório divulgado nesta terça-feira pelo Fundo das NaçõesUnidas para a Infância (Unicef) alerta que, embora a educação no Brasil tenha melhorado, a situação de alguns grupos ainda é vulnerável"quando se trata do pleno exercício do direito de aprender".

Crianças e adolescentes indígenas, quilombolas, com deficiência ou que vivem no campo são as que enfrentam mais dificuldade para ter acesso à educação, segundo mostra o relatório "Situação da Infância e da Adolescência Brasileira 2009 - O Direito de Aprender".

Segundo o Unicef, dados do Censo Escolar 2007 mostraram a dificuldadede progressão nos estudos das crianças com deficiências. "Enquanto 70,8% cursam o ensino fundamental, apenas 2,5% estão no ensino médio".

O estudo destaca entretanto que houve um importante aumento de 597%no ingresso desses alunos em classes comuns do ensino regular entre1998 e 2007.

Entre os indígenas e quilombolas, a principal deficiênciaé a infra-estrutura inadequada das escolas e a baixa qualidade do ensino oferecido. No caso dos quilombolas, o Unicef destaca que as escolas estãofrequentemente distantes das casas dos alunos e os professores em sua maioria não têm a formação adequada para atuar em sala de aula.

Segundo o Unicef, nos últimos anos esses grupos tornaram-se "foco de políticas públicas específicas e de ações desenvolvidas por diferentes organizações da sociedade civil". Com isso, houve melhora nos indicadoreseducacionais. Entre 2002 e 2007, o número de estudantes indígenas cresceu 50%, chegando a 176 mil. A pesquisa revela também que há evolução da oferta educacional nas comunidades quilombolas. De 2005 para 2006, o número de escolas localizadas em áreas remanescentes de quilombos cresceu 94%. Mas em 2007, verificou-se uma pequena redução de cerca de 30 unidades.

No campo, a Unicef aponta grande dificuldade de acesso de professores ealunos às escolas em função das deficiências do transporte escolar. "Além disso, muitos currículos estão desvinculados da realidades, das necessidades, dos valores e dos interesses dos estudantes, o que impede que o aprendizado se transforme em instrumento para o desenvolvimento domeio rural", cita o relatório.

Como conseqüência desse descolamento da escola com o meio rural verifica-se um baixo nível de instrução e de acesso à educação. "A escolaridade média da população de 15 anos ou mais que vive na zona rural corresponde a quase metade do índice da população urbana", ressalta o estudo.

Agência Brasil