Trabalho de 'au pair' é boa opção aprender idioma no exterior

Trabalho de au pair é boa opção aprender idioma no exterior

29 abr 2011
08h33

Além de garantir casa e comida, os estudantes que vão estudar no exterior encontram nos programas de au pair uma ótima oportunidade para aprender o idioma local. No entanto, os jovens que querem trabalhar nas casas de família, cuidando de crianças, precisam estar preparados também para trocar fraldas, fazer a mamadeira e ainda acalmar o choro de bebês.

Fora a remuneração da família que o abriga, o estudante que participa destes programas ganha uma bolsa de estudos para realizar cursos em suas horas livres. Mas a grande incumbência destes intercambistas é zelar por crianças - ou adolescentes de até 15 anos. As tarefas vão desde manter o quarto arrumado até cuidar de merendas e lanches - por esses serviços, o salário costuma ser semanal, e não se paga pela moradia e pelas refeições.

A idade mínima para se realizar este tipo de intercâmbio é 18 anos, e o interessado cria um perfil online para apreciação das famílias estrangeiras. "É como uma rede social, na qual o estudante pode colocar fotos, vídeos e experiências profissionais. É através dessa página que as famílias interessadas podem entrar em contato", afirma Jesica Zacher, agente de viagens da empresa STB.

Segundo a agente, quanto mais recheado é o perfil, mais rápido o estudante encontrará alguém interessado. Jesica diz que os jovens brasileiros são vistos com bons olhos pelas famílias do exterior. Assim, o contato leva, em média, três meses para acontecer. Após a primeira ligação entre a família e os estudantes, é marcada uma entrevista para que os dois lados possam se conhecer melhor.

A estudante de Porto Alegre (RS), Megy Soares da Silva, 24 anos, em pouco tempo terá seu perfil disponível à espera de um contato para viajar ao exterior. Sua única certeza é de que irá para os Estados Unidos. Embora tenha vontade de rumar para uma grande cidade, é quase impossível que isso ocorra, já que a maioria das famílias que participam dos programas de au pair estão em cidades menores.

Megy é graduada em marketing e cursa uma pós-graduação na área no Brasil, e pretende rumar para os EUA para aprimorar o inglês e fazer um curso de marketing ou business. A ideia de participar do programa veio de uma viagem para Los Angeles que fez em fevereiro deste ano. Lá, a estudante ficou na casa de uma família por um mês. "Me adaptei muito com essa família. E na realidade a gente ganha mais fluência no inglês graças ao convívio direto com a família do que na própria aula", afirma.

Para garantir um contato ainda mais rápido com famílias do exterior, ela saiu do trabalho e iniciou uma série de trabalhos voluntários com crianças de diferentes faixas etárias, e até serviu de babá da filha do vizinho, tudo para rechear o perfil de experiências. Porém, apesar da pressa de viajar, ela diz que é preciso calma na hora de escolher a família.

"Às vezes, as pessoas querem viajar logo e acabam fechando com a primeira opção que aparece. Mas é preciso tomar uma série de cuidados, pois quero ver se vão respeitar o meu modo de vida, e se encaixar com o meu estilo", afirma.

A supervisora Isabella Dalpuzzo, da agência de intercâmbio CI, comenta que cerca de 80% das pessoas que já possuem um perfil conseguem ser aceitas por uma família em menos de um ano. Embora a idade mínima seja 18 anos, a maior procura é por pessoas entre 21 e 23 anos. O grau de satisfação é enorme, garante Isabella. "Os jovens gostam muito e dificilmente voltam insatisfeitos para o Brasil. E fica um laço muito forte com a família do exterior", afirma a supervisora.

É o caso da estudante Raquel Coelho, 20 anos, também de Porto Alegre. "Poderia ter ficado mais, estava com uma família maravilhosa", comenta a estudante, que passou cerca de um ano e três meses na casa de uma família em Alexandria, no estado de Virginia, nos Estados Unidos. Mesmo assim, encontrou algumas dificuldades no começo. "Eles são um povo diferente, são muito individualistas e perfeccionistas. Outra dificuldade é com as crianças, pois elas acabam nos enfrentando e muitas vezes a gente não sabe como lidar, porque fala apenas o trivial em inglês".

As principais funções que Raquel exercia no dia a dia, para cuidar de dois meninos, um de 10 anos e outro de 8, era manter as coisas das crianças em ordem, preparar as refeições e também servir de motorista para levá-los a diversos lugares. Essa convivência maior com as crianças também trouxe benefícios, como a fluência no idioma. "Se aprende muito com as crianças, pois ajudava nos deveres de casa, eles mesmos me corrigiam quando falava algo errado. Depois que eu me envolvi com eles, eu era considerada parte da família", diz Raquel.

Raquel Coelho passou mais de 1 ano na casa de uma família em Alexandria, no estado de Virginia, nos Estados Unidos
Raquel Coelho passou mais de 1 ano na casa de uma família em Alexandria, no estado de Virginia, nos Estados Unidos
Foto: Arquivo Pessoal / Divulgação
Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra

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