SP quer reduzir bullying nas escolas com trabalho de psicopedagogos

A assistência psicopedagógica chega com a promessa de melhorar o processo educacional nas escolas da rede

19 mai 2013
13h55
atualizado às 13h55
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Com objetivo de diagnosticar, intervir e prevenir problemas de aprendizagem, tendo como enfoque o aluno, foi sancionado recentemente o projeto de lei que implementa a figura do psicopedagogo nas escolas da rede municipal de São Paulo. A assistência psicopedagógica, que chega com a promessa de melhorar o processo educacional e diminuir ações de bullying na capital paulista, já existe em 95 municípios brasileiros, de acordo com a Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp).

<p>A prefeitura acredita que vai conseguir melhorar o desempenho dos alunos com os novos profissionais que ser&atilde;o contratados</p>
A prefeitura acredita que vai conseguir melhorar o desempenho dos alunos com os novos profissionais que serão contratados
Foto: Getty Images

É o caso de Ourinhos, município no interior paulista. Com aproximadamente 20 mil alunos matriculados, a rede municipal de ensino conta com apoio psicopedagógico desde 2001. São nove profissionais efetivos na função. O trabalho é desenvolvido dentro de uma abordagem sistêmica, tendo como frente de atuação a família, equipe gestora, professores, alunos, comunidades e a uma ampla rede de apoio.

Segundo a coordenadora da área psicopedagógica da Secretaria Municipal de Educação de Ourinhos, Adriana Neves, com este trabalho, houve otimização nos atendimentos e encaminhamentos frente às necessidades levantadas junto aos alunos e professores, além da efetivação de um suporte e intercâmbio entre saúde e educação. "Como benefícios, temos hoje uma educação de melhor qualidade, com um trabalho de escuta, intervenção, prevenção e minimização dos entraves do processo de ensino", comenta.

A presidente da ABPp, Quézia Bombonatto, comemora a inserção deste profissional nas escolas paulistanas. “É um passo muito importante, pelo tamanho e presença que tem essa rede. E também porque parte da disciplina educacional não é das melhores em termos de produção - nós sabemos que temos municípios em outros Estados com níveis de educação muito melhores nas avaliações”, compara. Para ela, a presença do psicopedagogo vem ao encontro da necessidade de focar o processo de aprendizagem.

Inclusão
Além de contribuir com os projetos pedagógicos, o profissional de psicopedagogia oferece suporte, orientação e capacitação de professores em casos de alunos com necessidades especiais - seja por deficiências ou altas habilidades -, e atuar como mediadora de conflitos para evitar ações de bullying. “Hoje em dia se fala muito em inclusão, mas o professor não sabe o que fazer com uma criança que tem transtorno ou alguma síndrome e, por falta de capacitação, acaba excluindo ao invés de incluir”, assegura a psicopedagoga.

Essa falta de preparo pode levar as crianças que não se sentem incluídas a sofrerem com o bullying. De acordo com a presidente da ABPp, o sistema educacional que se tem hoje precisa ser revisto. E o psicopedagogo vai contribuir com isto. “Ele vai instrumentalizar grupos de professores. Dentro da rede, vai poder ajudar nessa capacitação para lidar com crianças com síndromes, que somam 6% do total”, diz.

É importante diferenciar a função da psicopegagogia dentro da rede de educação da função do consultório. Na escola, se trabalha a relação entre aluno e professor. Ele vai orientar o professor, mas quem usufrui disso é o aluno. “É um processo de educação preventivo, não só curativo. Na escola, ele vai orientar, cuidar. No consultório, tratar”, explica Quézia. Outro aspecto é o alcance do psicopedagogo na mediação da relação da escola com a família.

Formação
A formação em psicopedagogia acontece de duas formas: por meio de uma especialização de profissionais de outras formações - como pedagogos, psicólogos e licenciados - ou na própria graduação de psicopedagogia. Atualmente, tramita no Senado Federal o projeto que regulamenta a profissão. Estima-se que há cerca de 150 mil profissionais com esta especialização no Brasil.

Pelo projeto da prefeitura de São Paulo, cada regional de ensino terá uma equipe composta, além de psicopedagogos, por assistentes sociais, fonoaudiólogos e outros profissionais especializados que não fazem parte da carreira do magistério. Um estudo de demanda e orçamentário está sendo realizado para definir quantos profissionais serão contratados para atender cerca de 1,5 mil escolas municipais de educação infantil e do ensino fundamental. O prazo para implantação da lei é de 60 dias, mas a previsão para funcionamento pleno é para o próximo ano.

Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra

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