SP: falta de cronograma de discussões leva a temor sobre cotas

SP: falta de cronograma de discussões leva a temor sobre cotas

15 jan 2013
08h09
atualizado às 10h55
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No final do ano passado, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), anunciou a criação de um programa de inclusão nas universidades do Estado, com a reserva de 50% de todas as vagas para estudantes de escolas públicas até 2016. No entanto, mesmo com a pressão do governador, USP, Unicamp e Unesp têm autonomia e uma mudança na forma de ingresso nos vestibulares mais disputados do País vai depender de aprovação nos conselhos universitários. Quando isso será discutido ainda não se sabe.

Cotas, uma nova discussão nas universidades

Em nota, a assessoria de imprensa da Unicamp disse que a proposta será submetida às unidades de ensino e pesquisa e ao Conselho Universitário até abril de 2013, mas nenhuma reunião foi agendada até agora. Já a USP informou que não há previsão de reunião do conselho universitário para tratar do tema. Na Unesp, o conselho deve se reunir em fevereiro, mas a data ainda não foi fechada.

A preocupação dos movimentos sociais é que a discussão não seja feita a tempo hábil para garantir a adoção das cotas a partir de 2014, como quer o governo do Estado, já que os editais dos vestibulares devem ser feitos até abril deste ano. O reitor da Unesp, Julio Cezar Durigan, concorda que o prazo é apertado, mas acredita que as universidades vão chegar a um consenso a tempo.

"Se os conselhos não aprovarem, corre-se o risco de a Assembleia (Legislativa) aprovar uma lei baseada na federal (Lei de Cotas, que entrou em vigor em 2012) e teremos que cumprir igual. É melhor que a proposta parta das próprias universidades e seja feita com qualidade", afirma. Durigan, que tomou posse na reitoria na última sexta-feira, ressalta que a adoção das cotas é um tema polêmico, que divide opiniões, mas elogia a proposta apresentada pelo governo do Estado em parceria com o Conselho dos Reitores (Cruesp).

"A proposta é inovadora porque faz a inclusão com qualidade e garantindo a permanência dos estudantes na universidade. Acho que os conselheiros vão levar em conta isso". Entre os principais pontos que "fariam a diferença" entre o projeto de São Paulo e a lei federal está a criação de um curso superior com duração de dois anos para alunos de escolas públicas, preparando esses estudantes para ingressares nas graduações das universidades paulistas sem precisar passar pelo vestibular e, ainda, a destinação de bolsas de meio salário mínimo para os estudantes de baixa renda que ingressarem nas universidades.

Coordenador da ONG Educação para Afrodescendentes (Educafro), frei David Dantos é um dos entusiastas da proposta apresentada em dezembro. Apesar de defender o aumento do valor da bolsa para, no mínimo um salário mínimo, ele diz que a iniciativa é um grande avanço. No entanto, diz que convencer os conselhos universitários sobre a importância do projeto será um grande desafio. "São três conselhos ultraconservadores, que adotam a compreensão da meritocracia injusta: quando a universidade não se importa se (o estudante) nasceu pobre, se só estudou em escola pública. E nós, enquanto movimento social, temos a missão de mostrar aos conselheiros que eles estão erradas e que isso precisa mudar".

Segundo frei David, a Educafro solicitou o endereço de e-mail de todos os conselheiros da USp e pretende encaminhar mensagem para todos tentando convencer sobre a importância das cotas. O mesmo deve ser feito com os conselhos da Unicamp e Unesp. "No Brasil se discute a adoção de cotas há 13 anos, quando começou circular o projeto de lei no Congresso. O que as universidades estaduais de São Paulo fizeram em todos esses anos para garantir a inclusão? Nada. Mas agora vão ter que fazer em três meses o que não fizeram em 13 anos", criticou ao ressaltar que a Educafro vai manter o diálogo até abril. Se até lá o tema não for fechado, protestos não estão descartados.

 

Fonte: Terra
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