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19 de fevereiro de 2009 • 17h55 • atualizado às 18h26

Saiba o que a educação infantil deve oferecer

A educação infantil, assim como o ensino fundamental e o médio, é assentada em normas estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação
Foto: Getty Images
 

A brincadeira, o movimento e as relações afetivas são eixos que devem nortear as propostas de um trabalho com crianças no início da vida escolar. Não é qualquer instituição que dá conta do desafio de atender as Diretrizes Curriculares Nacionais para a educação infantil.

A educação infantil, assim como o ensino fundamental e o médio, é assentada em normas estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação. A aplicação desse conjunto de normas deve se traduzir em um ambiente confiável, caloroso, receptivo, estimulante, diversificado e muito organizado, onde seu filho possa se apoiar e investir sua curiosidade e afetos.

Em abril de 1999, foram fixadas as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para a educação infantil. Elas têm força de lei e estabelecem as grandes orientações para nortear as propostas pedagógicas das creches e pré-escolas. Confira as principais:

Brincar é coisa séria
Na primeira diretriz está estabelecida a ludicidade (ou a brincadeira) como um fundamento da educação infantil. É que as fontes de conhecimento da criança são múltiplas, mas é no ato de brincar que ela entende a realidade, desenvolve a imaginação, os afetos e as competências.

Viva a diferença!
Diretriz que se refere ao princípio de a instituição de ensino acatar as diversas identidades das crianças e suas famílias, professores e funcionários, sem qualquer tipo de exclusão, seja de gênero, etnia, religião, situação econômica ou de peculiaridades (como as dos portadores de necessidades especiais).

Educação integral
As propostas pedagógicas devem integrar os aspectos físicos, emocionais, afetivos, cognitivo-lingüísticos e sociais da criança. A norma busca evitar tendências comuns, como a ênfase nas habilidades psicomotoras ou na alfabetização e no estímulo ao cálculo precoces.

Nada de improvisos
As crianças vivem num mundo complexo e as propostas pedagógicas devem dar conta disso, sem apelar para improvisos baseados na idéia de que a educação nessa fase é café-com-leite, brincadeirinha. A escola deve buscar a interação entre as diversas áreas de conhecimento, em atividades espontâneas ou dirigidas, mas que expressem um objetivo.

Cuidar e educar
As creches não devem ser simplesmente espaços de cuidados e as pré-escolas não podem se limitar a preparar para a alfabetização. Cuidado e aprendizado devem estar integrados desde o início, articulados em três eixos: a brincadeira, o movimento e as relações afetivas. Tal visão pedagógica tem como base a concepção da criança como ser social, histórico, inserido na cultura e um cidadão de direitos.

Estímulos múltiplos
Sugere-se que as propostas pedagógicas lidem com cinco áreas diferentes: artes visuais, conhecimento do mundo, língua, matemática e música. Assim se procura atender às múltiplas linguagens da criança ¿ corporal, plástica, musical, oral, escrita, faz-de-conta, virtual (computador).

Capazes e competentes

A prática pedagógica não deve simplificar conteúdos porque a criança é pequena. Ao contrário, deve explorar os saberes do menino ou da menina inseridos em sua cultura. Uma atividade musical, por exemplo, deveria considerar o rico cancioneiro popular brasileiro.

Sintonia fina
Os projetos pedagógicos devem acontecer em sintonia com as necessidades básicas da criança, como sono, higiene, alimentação, saúde e proteção. E tudo deve estar voltado para o aprendizado do auto-cuidado por parte das crianças, valorizando sua autonomia.

Consultoria: Fundação Orsa; Paula Bourroul, pedagoga, diretora de escola de educação infantil, orientadora e coordenadora pedagógica de educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; Lidia Freitas, psicóloga clínica filiada ao Instituto de Psicanálise de São Paulo, presidente da Ação Solidária Contra o Câncer Infantil, consultora do Clube Johnson¿s Baby e educadora infantil.

Redação Terra