Educação

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07 de julho de 2010 • 13h03

Rio: rendimento em avaliação do MEC dará bônus para 405 escolas

405 escolas que atingiram metas do MEC receberão bônus

Professores e servidores das 405 escolas da rede municipal que atingiram a meta da Prefeitura do Rio com base no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) vão receber este ano o Prêmio Anual de Desempenho, espécie de 14º salário.

O número equivale a 40% da rede de 1.604 colégios municipais. Das 150 Escolas do Amanhã, aquelas localizadas em áreas de risco, 65 serão premiadas com valor correspondente a um salário e meio de cada funcionário, o que pode chegar a R$ 1.572. Ainda não foi definido quando o pagamento será feito.

O sucesso do projeto na prova do MEC que serve de base para o Ideb surpreendeu a secretária municipal de Educação, Cláudia Costin. "O resultado está muito acima do que a gente esperava. O Ideb avalia não só as notas nos testes de Português e Matemática, mas também o índice de aprovação de cada colégio. Com o fim da aprovação automática, as reprovações subiram de 3% em 2008 para 14%. Ou seja, o desempenho na prova melhorou muito para ter compensado o aumento de reprovações", comemorou ela. Costin visitou ontem com o prefeito Eduardo Paes duas unidades que se destacaram: a João de Deus, na Penha, e a Ary Barroso, em Cordovil.

A Escola do Amanhã mais bem colocada no primeiro segmento (1º ao 5º ano), segundo o índice de qualidade do MEC, é a Ayrton Senna, na Vila Aliança, em Bangu. O colégio com 320 alunos saltou de 5 em 2007 para 6,6 no Ideb. Para a diretora da unidade, Vilma Maria da Lira Xavier, o reconhecimento é uma injeção de autoestima nos estudantes: "Eles ficaram super empolgados e querem avançar cada vez mais".

No mês que vem, a secretaria começa a implantar aulas digitais: lições em sala com videogames e vídeos que também ficarão disponíveis na internet para alunos e professores, como antecipou O DIA em 15 de junho.

Secretário da prefeitura já estudou no colégio premiado
Na Escola João de Deus, na Penha, Paes ficou tão encantado com os resultados que fez promessa. "Podem pedir à diretora o que quiserem que eu faço", anunciou, antes de ouvir uma saraiva de solicitações que incluíam a construção de piscina.

A escola já cedeu um aluno para a própria prefeitura. "Guardo boas lembranças, é um colégio que sempre incentivou a leitura", lembrou o secretário municipal de Obras, Alexandre Pinto.

Ex-aluna da João de Deus, Raquel Gomes da Silva, 40 anos, matriculou os dois filhos lá e é a prova de que a qualidade é tradição na unidade: "Ela sempre teve bons diretores e professores dedicados".

Diretor da Escola Municipal Ary Barroso, em Cordovil, Eduardo Fernandes credita o sucesso à parceria entre pais, alunos e professores: "Sozinho ninguém faz milagre".

Ensino Médio: investimento baixo e caos
Especialistas consultados por O DIA foram unânimes em afirmar que o péssimo desempenho do Ensino Médio fluminense na avaliação do MEC foi impulsionado, principalmente, por um antigo problema: a falta de investimentos.

"Como se explica um educador ganhar R$ 400 e um juiz, R$ 20 mil? Essa aplicação incorreta dos recursos gera uma bola de neve, que contribui com a queda na qualidade do ensino", avalia o professor Nicholas Davies, da UFF.

A professora Berta do Vale, da Uerj, acrescenta que os colégios estaduais não têm infraestrutura adequada para o aprendizado. "Faltam laboratórios e equipamentos para aulas de Física e Biologia, por exemplo", lamenta.

Hoje, a Comissão de Educação da Alerj recebe a secretária de Estado de Educação, Tereza Porto, para discutir o assunto.

Salários maiores melhorariam notas, dizem especialistas
As soluções de curto prazo para os colégios estaduais se recuperarem a tempo das próximas avaliações passam pela valorização do educador, dizem os especialistas. Para eles, salários maiores seriam um estímulo para atrair mais profissionais para a carreira, mas o professor Nicholas Davies também põe em xeque o tipo de avaliação feita pelo MEC.

"Os alunos recebem treinamento focado para fazer bem esses provões, pois isso é bom para o nome da escola, mas não quer dizer que estão adquirindo conhecimento para a vida", afirma.

Para a especialista em Educação Berta do Vale, o Ensino Médio deveria ser profissionalizante, para direcionar alunos para o mercado de trabalho e evitar a evasão.

O Dia