Retorno às aulas requer preparação e cuidados com a segurança

Retorno às aulas requer preparação e cuidados com a segurança

10 fev 2012
15h22
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Com a proximidade do início do ano letivo, é comum bater aquela ansiedade para reencontrar o colegas. Para os que estão estreando no ambiente escolar, a novidade (e o frio na barriga) é ainda maior. Mas os pais não podem descuidar durante a preparação e a adaptação à nova rotina. "É importante manter um diálogo sobre as expectativas da criança em relação a escola, os novos amigos e até mesmo os novos professores", garante a psicopedagoga Valéria Tiusso Segre. Planejar questões que vão desde o material escolar até o transporte que será utilizado no deslocamento também ajuda na hora de retomar o ritmo escolar.

Se durante as férias as crianças não têm compromisso de acordar cedo ou de fazer lição de casa, a volta às aulas representa naturalmente uma ruptura. Mas não se deve abandonar a rotina de brincadeiras e diversão de uma hora para outra. O mais indicado é reestabelecer os horários de refeições e de ir para a cama cerca de uma semana antes do primeiro dia de aula. "Não precisa ser radical. Por exemplo, se uma criança acorda às 6h durante o período escolar e nas férias acordava às 10h, na semana de pré-adaptação pode acordar às 8h", explica Valéria. A orientação também vale para quem está viajando. "Não se deve chegar em casa na véspera, para que a criança possa passar por esse pequeno processo de readaptação", diz.

A preparação
Antes de ir à escola, os pais devem observar o peso da mochila, que não pode ultrapassar o equivalente a 10% do peso corporal da criança para não prejudicar a coluna. O chefe do Centro de Ortopedia da Criança e do Adolescente do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), Pedro Henrique Mendes, dá dicas de como reduzir o material a ser levado para a escola, como substituir o caderno de dez matérias pelos individuais, ou ainda utilizar fichário.

Outro cuidado é comprar uma mochila confortável, de alças acolchoadas, e regulá-la na altura dos ombros. Vestir as duas alças também é fundamental. "Usar em um ombro só pode acarretar deformidades na coluna, como escoliose", adverte. Na sala de aula, os professores podem cuidar a postura dos alunos. A posição correta é com as costas totalmente apoiadas no encosto da cadeira. "Isso pode ser cobrado pelos pais em casa, também", frisa o ortopedista.

Chegada a hora da brincadeira, é importante que as crianças utilizem calçados confortáveis e flexíveis. Salto é proibido, pois, além de facilitar quedas, prejudica o desenvolvimento ósseo da criança. "Só pode quando o esqueleto estiver maduro, o que acontece entre 12 e 14 anos. A partir daí, já pode usar salto, mas nada muito exagerado", explica.

Mesmo assim, Mendes ressalta que quedas são inevitáveis. A ONG Criança Segura, que promove campanhas para a prevenção de acidentes na infância e na adolescência, aponta que o número de hospitalizações em 2009 em função de acidentes, segundo o levantamento mais recente do Datasus/Ministério da Saúde, foi de 119.297 entre crianças de 0 a 14 anos. Do total, a maior parte foi motivada por quedas (57.705 hospitalizações). Por isso, a escola, na opinião do ortopedista, deve estimular atividades recreativas e com uso da bola, mas sempre priorizando a segurança dos alunos. "O mais importante é que o esporte deve ser praticado com uso de equipamentos de proteção adequados", salienta.

O caminho até a escola
No trânsito, a atenção deve ser a mesma. Seja de carro, de ônibus escolar ou de linha, de bicicleta ou a pé, crianças e adolescentes podem sofrer acidentes. A ONG Criança Segura alerta para a morte de 1.937 crianças de até 14 anos envolvidas em acidentes de trânsito em 2009, segundo o levantamento do Datasus. O número de internações por esse tipo de ocorrência chegou a 13.985 - 11,73% do total.

Com a proximidade da volta às aulas, o importante é que os pais eduquem e deem bons exemplos. A especialista em psicologia do trânsito Salete Romero lamenta que a tarefa não seja cumprida como deveria. "O adulto não está preparado, geralmente não tem um comportamento ideal como motorista, ciclista ou pedestre. Muitas crianças aprendem hábitos inadequados e acabam reproduzindo essas ações", avalia.

A pesquisa do Datasus ainda revelou que 33% das mortes em acidentes de trânsito ocorreram com a criança na condição de passageira do veículo. Por isso, ao trafegar de carro, é importante observar o uso dos dispositivos corretos, conforme prevê a Resolução 277 do Conselho Nacional de Trânsito (Conatran), conhecida também como Lei da Cadeirinha. O texto define a obrigatoriedade do uso de "bebê-conforto" para crianças de até um ano, cadeirinha entre um e quatro anos e assento de elevação entre quatro e sete anos e meio.

Depois dos sete anos e meio, basta o uso do cinto de segurança. Contudo, apesar de obrigatório, muitas crianças não o utilizam. É o que demonstra a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) de 2009. Os indicadores do conjunto de capitais e do Distrito Federal aponta que 23,6% dos estudantes não usaram o item de segurança quando estavam em veículo motorizado. Manaus foi a capital com a maior proporção de escolares que usaram o cinto (44,2%) e Vitória foi a com o menor percentual, (18,2%). Salete salienta que usar porque a legislação obriga não é o ideal. "Os adultos estão associando o trânsito somente à fiscalização. O certo é os pais sempre priorizarem situações não porque vai gerar multa, mas sim pela segurança de seu filho", adverte.

Os pais devem estar atentos também aos filhos que andam de ônibus. Nos escolares, é aconselhável conhecer as condições de segurança do veículo e a equipe que fará o transporte. Em ônibus de linha, nem sempre as crianças estão acompanhadas por adultos, e uma frenagem brusca pode provocar quedas, contusões e até mesmo lançá-las para fora do veículo. Por isso, é preciso haver diálogo entre pais e filhos sobre os perigos do trânsito e como evitá-los. "Elas devem segurar sempre com as duas mãos na estrutura do veículo", orienta Salete.

Se a criança vai a pé à escola, algumas regras são básicas: andar sempre pela calçada e buscar não ficar próxima ao meio-fio. Por vezes, carros, motos ou bicicletas trafegam perto do passeio dos pedestres, o que pode ocasionar acidentes. Outra dica é orientar os pequenos a sempre subir e descer do veículo pelo lado da calçada, nunca pela pista de rolamento. Atravessar na faixa de pedestres também é o correto, mas a especialista ressalta que a regra não é garantia de segurança. "Muitos atropelamentos acontecem sobre a faixa, porque alguns motoristas não respeitam o sinal", diz. "Nunca se deve acreditar que, só porque você está na faixa, os veículos vão parar. Tem que olhar para os dois lados", acrescenta.

Segundo o levantamento do Datasus, os atropelamentos foram a causa da morte de crianças de até 14 anos em 41% dos casos pesquisados. Por isso, atenção é fundamental. É preciso evitar distrações como o uso do celular ou do fone de ouvido, algo comum entre adolescentes. "Isso tira a atenção", alerta Salete. Ela destaca aquela que considera a regra fundamental de segurança no trânsito: ver e ser visto. "O pedestre precisa procurar locais onde ele consiga perceber os veículos se aproximando e ser percebido pelo condutor. Ele é o mais frágil entre os que estão no trânsito."

A bicicleta também é alternativa para ir à escola, além de ser um meio de transporte prático e ecologicamente correto. Mas também exige atenção e conhecimento das regras de trânsito para trafegar com segurança. Do levantamento de mortes feito pelo Datasus, 6% dos casos envolveram crianças que andavam de bicicleta. A especialista em psicologia do trânsito atenta para os equívocos mais comuns cometidos pelos ciclistas. "Alguns não sabem que se deve transitar no mesmo sentido dos outros veículos. Na dúvida, é permitido abrir um dos braços, pois isso amplia o campo de visão sobre ele", ensina. Não se deve esquecer dos equipamentos básicos de segurança: capacete, retrovisor e refletores - inclusive na mochila, se possível. Salete considera a bicicleta é um veículo muito frágil e que seu uso para o deslocamento de crianças deve ser evitado em cidades grandes, onde o tráfego é mais intenso. "Não aconselho. A não ser que haja ciclovia, pois significa que a cultura daquela cidade já está preparada para o ciclista", entende.

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