Região da Espanha pagará 1 mil euros a quem terminar 2º grau

9 dez 2012
11h31

A comunidade autônoma de Extremadura, no oeste da Espanha, adotou um programa de incentivo escolar que gerou controvérsia: em época de crise econômica, pagar 1 mil euros (cerca de R$ 2.680) aos estudantes que terminarem a Educação Secundária Obrigatória (ESO), comparável no Brasil a concluir o Ensino Médio. O governo afirma que a medida busca contornar a alta taxa de evasão escolar e melhorar a formação dos jovens. Na Espanha, quase um milhão de jovens em idade universitária (entre 18 e 24 anos) não terminaram os estudos de "bachillerato" ou formação profissional - etapa de estudos feita depois da ESO, após a qual o estudante opta pela universidade ou pelo mercado. Como ela não é obrigatória, muitos estudantes desistem já aí, ficando impedidos de entrar em uma universidade e sem uma formação profissional mais acurada. "A taxa de abandono escolar na Espanha requer medidas de choque; vale a pena experimentar", afirma Juan Manuel Moreno, especialista em educação do Banco Mundial. As informações são do jornal El País.

Em Extremadura, a taxa de jovens em idade universitária que não concluíram o "bachillerato" é de alarmantes 29,6%, cerca de 28 mil. Além disso, há mais aproximadamente 8 mil jovens extremenhos em situação de desemprego que não chegaram nem a terminar os estudos secundários - estes são os que podem se beneficiar com o programa. "É um problema estrutural; ou o enfrentamos, ou eles vão ficar desempregados pelo resto da vida", diz Sergio Velázquez, secretário de Emprego, Atividade Empresarial e Inovação Tecnológica, departamento que financia o programa com 4 milhões de euros. A medida sofreu críticas de docentes e trabalhadores da educação. "Pode atrair algumas pessoas, mas, ao mesmo tempo, perverte a relação entre professor e aluno, que já não estará baseada só no conhecimento, mas também em uma prestação econômica condicionada pela avaliação", assinala José Saturnino Martínez, sociólogo da Universidad de La Laguna. O especialista do Banco Mundial responde: "Em geral, gostaríamos que todos os jovens se guiassem pelos valores das classes médias e altas, que têm interiorizada a motivação intrínseca do estudo (como um benefício em si mesmo), mas não é assim", disse Moreno.

Fonte: Terra
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