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09 de outubro de 2013 • 01h02 • atualizado às 07h37

Professores em greve ocupam plenário da Câmara Municipal de Goiânia

  • Direto de Goiânia
 

Em greve, um grupo de professores da rede municipal ocupa, desde o final da manhã de terça-feira, o plenário da Câmara Municipal de Goiânia. Apesar da tentativa de contenção feita pela Guarda Municipal, eles invadiram o plenário pouco antes das 11h, durante a votação de projeto do Executivo que tratava da concessão do Auxílio Locomoção para professores. Os grevistas "acampados" na Câmara chegaram a somar 700 pessoas ao longo do dia, segundo os organizadores do movimento, e declararam que só deixam o lugar após negociarem com o prefeito Paulo Garcia (PT).

“Vamos ficar aqui esperando uma resposta do prefeito. A gente espera que ele faça negociação com a categoria”, diz a professora Ana Cristina da Silva Nunes, 40 anos, 21 de carreira e especialista em educação infantil. “Existem muitas outras cobranças, mas a curto prazo o que a gente quer é o projeto garantindo esse direito (de Auxílio Locomoção)”, acrescentou.

Durante a sessão pela manhã, os grevistas desceram das galerias lotadas para o plenário quando emendas apresentadas ao projeto – que aumentavam o valor do benefício e o estendia para os servidores administrativos e auxiliares da atividade educacional – foram rejeitadas, após articulação da bancada de apoio ao prefeito. A sessão foi suspensa com a confusão e o projeto continua na pauta de votação para ser apreciado em segunda e última discussão.

Segundo informações da assessoria de comunicação da Câmara, o projeto apreciado estabelecia para professor com carga horária de trabalho com 20 horas semanais um auxílio de R$ 133,30 mensalmente, R$ 200,00 para 30 horas e de R$ 266,60 para 40 horas semanais. Pouco antes da votação, porém, as duas emendas, defendidas pela bancada da oposição, além de ampliar o número de beneficiários, previam que o professor com 20 horas semanais receberia um auxílio de R$ 213,02 por mês, R$ 319,14 para o professor com carga de 30 horas e de R$ 425,26 para aqueles com carga horária de 40 horas semanais. 

Conforme o vereador autor das emendas, Virmondes Cruvinel (PSD), que é da bancada da oposição e participa da vigília dos professores, as propostas chegaram a ter 16 vereadores a favor, mas houve uma manobra da Mesa Diretora, presidida pelo vereador Clécio Alves (PMDB), que é da base do prefeito Paulo Garcia, e foram derrotadas por 17 votos contrários. “A emenda estava tramitando de forma democrática, só que em determinado momento a Mesa Diretora, de forma truculenta e casuística, prorrogou a votação até a chegada de mais dois vereadores no Plenário. Entendemos que isso foi uma manobra que prejudicou muito os professores, porque acabou derrubando as emendas”, disse ao Terra.

Também da oposição, o vereador Elias Vaz (PSB) disse que a bancada já entrou com  recurso contra a votação que derrubou as emendas, pedindo seu cancelamento, e uma manifestação expressa, via nota pública, exigindo que o prefeito negocie com os grevistas. “A greve traz um prejuízo para a população e a prefeitura tem que ter o mínimo de sensibilidade com estes trabalhadores, que estão fazendo uma luta justa”, disse. Em entrevista coletiva durante a sessão, o presidente da Câmara se defendeu, negando as acusações de direcionamento dos vereadores da oposição, alegando que o que houve foi uma vitória da vontade da maioria.

Pauta ampla
Os professores da rede municipal estão em greve desde o dia 25 de setembro. Além de reivindicar o benefício de transporte para todos os professores e auxiliares educativos, a pauta de reivindicações da categoria é mais ampla, e inclui renegociação da data-base e melhoria condições de trabalho.

O professor de geografia e integrante do comando da greve Antônio Vieira Neto, 37 anos, ilustra a pauta extensa: “Tem muito mais coisa, por exemplo, a prefeitura diz que paga o piso, mas paga R$ 1.537, cerca de R$ 900 a menos do valor do piso nacional”, diz, informando que também acontece desta forma na rede estadual. A paralisação atinge escolas e Centros Municipais de Educação Infantil (Cmei) de Goiânia. Decisão liminar do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) do dia 27 de setembro, determinou a suspensão do movimento e a retomada das aulas.

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