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Por quanto tempo sobrevivemos sem comer? Veja casos • 29/06/2012, 08h30

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  • Não há um tempo certo. Os médicos afirmam que podemos aguentar cerca de um mês se comer nada, mas isso depende de diversos fatores, em especial de nossa reserva de gordura. Contudo, até a temperatura do ambiente influi. E há casos extremos, como de ilusionistas que já passaram mais de 50 dias sem ingerir alimento e pessoas que entraram em estado de "hibernação". Veja a seguir alguns desses relatos de pessoas que sobreviveram a momentos extremos com pouco ou nenhum alimento

    Foto: Getty Images / AFP http://img.terra.com.br/i/2012/06/28/2407029-2185-rec.jpg
  • Greve de fome: sem comida por vontade própriaA greve de fome é uma das principais estratégias de resistência pacífica utilizada por prisioneiros políticos, líderes religiosos e ativistas de todo o mundo. Um dos casos mais conhecidos é o do famoso líder Mahatma Gandhi. Em maio de 1933, ele principiou uma greve de fome em protesto à opressão britânica contra a Índia. Assim, Gandhi permaneceu por 21 dias em total privação de comida e com apenas alguns goles de água

    Foto: Getty Images http://img.terra.com.br/i/2012/06/28/2406917-0528-rec.jpg
  • A endocrinologista Rosana Radominski explica que, após um período longo sem comida, o corpo apresenta sintomas de desnutrição, como emagrecimento e hipotensão, o que pode causar arritmias cardíacas, redução das proteínas e diminuição do tamanho dos órgãos - incluindo o cérebro -, torpor e a morte. "Se a pessoa não tomar pelo menos líquidos, a evolução é muito mais rápida: há desidratação, parada de funcionamento dos rins, queda da pressão, arritmias cardíacas, falência os órgãos e a morte"

    Foto: Getty Images http://img.terra.com.br/i/2012/06/28/2406935-6479-rec.jpg
  • Os direitos dos animais também foram defendidos dessa forma. Em 1998, em Londres, o ativista Barry Horne, cumprindo pena de 18 anos por posicionar dispositivos incendiários em lojas que vendiam casacos de pele, deu início a sua terceira greve de fome. Após 49 dias sem comida, ele precisou ser levado ao hospital para ser monitorado. O protesto deixou Barry com danos nos rins e problemas de visão. Em 2001, durante sua quarta greve de fome, o ativista faleceu devido a insuficiência hepática

    Foto: AFP http://img.terra.com.br/i/2012/06/28/2406936-4581-rec.jpg
  • Quando comer não é uma opçãoFicar sem comer, entretanto, nem sempre é uma opção de protesto. No final de 1991, o estudante de Medicina James Scott, então com 22 anos, viajou da Austrália para o Nepal para uma caminhada no Himalaia. Após uma tempestade, perdeu-se da trilha e, durante os 43 dias seguintes, sobreviveu apenas com bolas de neve derretidas e uma lagarta

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  • Foi através de uma rotina disciplinada e pensamento positivo que sua história se tornou um dos principais feitos de sobrevivência já relatados, possibilitando a Scott escrever o livro Perdido no Himalaia (Lost in the Himalayas, no original, em inglês). Ele relatou que, após 20 dias, já não sentia mais fome, embora sonhasse com comida. "A pessoa perde a fome porque entra em um estado de produção excessiva de cetonas por metabolismo de gorduras", esclarece Rosana Radominski

    Foto: Getty Images http://img.terra.com.br/i/2012/06/28/2406939-7933-rec.jpg
  • TemperaturaO clima é outro fator importante, que pode colaborar para a sobrevivência do indivíduo sem comida. No calor, o corpo desidrata mais rápido, enquanto que, no frio, o corpo usa a energia acumulada para manter a temperatura corporal. As chances de sobrevivência em temperaturas amenas, portanto, é maior

    Foto: Reuters http://img.terra.com.br/i/2012/06/28/2406941-0570-rec.jpg
  • O caso de um sueco que ficou preso pela neve em seu carro durante dois meses retrata bem essa situação. De acordo com a polícia, o homem de 45 anos e identidade não revelada enfrentou temperaturas em torno de -30°C. Ao ser encontrado, o sobrevivente afirmou ter se alimentado apenas de neve derretida nesse período. Os médicos acreditam que ele tenha entrado em uma espécie de hibernação, com gasto mínimo de energia

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  • A ingestão de líquidos também é vital para prolongar o período de sobrevivência. "A água é o solvente universal que carrega todos os nutrientes até as células, possibilitando a vida", afirma o nutricionista Gabriel de Carvalho, diretor do Instituto de Nutrição Avançada. Segundo ele, a água é essencial para a regulação da temperatura corporal, ajudando a resfriar o corpo

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  • RecordesFoi justamente quando um homem tentou cortar seu suplemento de água que o ilusionista americano David Blaine pensou em desistir do desafio de se manter sem comida durante 44 dias, dentro de uma caixa erguida sobre o Rio Tâmisa, em Londres. "Volte para os Estados Unidos", gritou o sabotador, reforçando os protestos contra a investida de Blaine

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  • Mesmo que lhe arremessassem ovos, gritassem indecorosamente e até lhe mandassem, via helicóptero de controle remoto, um hambúrguer por cima de sua morada temporária, Blaine conseguiu suportar o tempo proposto e pôde sair da jaula no dia 19 de outubro de 2003, emocionalmente abalado, 30% mais magro e recordista mundial, segundo o livro dos recordes

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  • Dois anos depois, outro ilusionista, o carioca Erikson Leif, foi ainda mais longe. Para isso, passou 51 dias, 22 horas e 30 minutos sem comer, alocado em uma cabine de vidro, a 9 m do chão, em Curitiba (PR). Leif entrou na caixa com 103 kg e saiu com 78,5 kg. Com o feito, riscou o nome de Blaine e assumiu o recorde oficial de jejum mais prolongado

    Foto: AP http://img.terra.com.br/i/2012/06/28/2406946-9538-rec.jpg
  • Desafio à medicinaO japonês Mitsutaka Uchikoshi, 35 anos, ficou 24 dias sem comida e sem água. O homem desapareceu ao escalar o monte Rokko com amigos. Conforme o relato, Uchikoshi deitou-se em uma área gramada, onde permaneceu até seu resgate, 24 dias depois. Ao ser encontrado, o japonês não tinha pulso, seus órgãos haviam parado e sua temperatura corporal chegara a 22°C. Os médicos acreditam que o sobrevivente tenha entrado em um estágio precoce de hipotermia

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  • Casos como esse, que desafiam a medicina, demonstram a força do instinto de sobrevivência humano. Segundo Carvalho, a ânsia pela vida e o equilíbrio emocional podem auxiliar nas adaptações metabólicas necessárias. Mas não dá para depender disso. Em caso de acidente, a fim de prolongar o período de vida, os especialistas recomendam evitar exposição a altas temperaturas, movimentar-se apenas o necessário e, assim que possível, buscar fontes de água doce e comida. Veja outros casos e sobrevivência

    Foto: Getty Images http://img.terra.com.br/i/2012/06/28/2406959-9334-rec.jpg
  • O caminhoneiro gaúcho Renato Varela de Oliveira, 43 anos, sobreviveu a um acidente de trânsito depois de ficar quatro dias preso nas ferragens do caminhão, no Paraná. Ele se alimentou da carga de laranjas que invadiram a cabine.

    Foto: PRE / Divulgação http://img.terra.com.br/i/2012/06/28/2406975-4501-rec.JPG
  • Adrian Vasquez, 18 anos, saiu para pescar com amigos, mas acabou à deriva por 26 dias. Duas pessoas que acompanhavam o jovem também morreram.

    Foto: AP http://img.terra.com.br/i/2012/06/28/2406991-9520-rec.jpg
  • Um idoso que havia se perdido com a mulher no Arizona, nos EUA, sobreviveu a 3 dias de tempestades de neve após sair caminhando por uma rodovia florestal em busca de socorro para a companheira. Dana Davis, 86 anos, foi encontrado caminhando pouco tempo antes de sua mulher, Elizabeth, 82 anos, ser achada morta.

    Foto: AP http://img.terra.com.br/i/2012/06/28/2407001-5240-rec.jpg
  • Uma menina de 9 anos sobreviveu após ficar dois dias presa em um carro capotado em temperaturas abaixo de zero, se alimentando de biscoitos e Gatorade.

    Foto: North Carolina Highway Patrol / BBC Brasil http://img.terra.com.br/i/2012/06/28/2407005-4315-rec.jpg
  • Um homem sobreviveu mais de 60 horas na selva após o avião no qual estava cair na Bolívia. Ele teve que beber urina e água de um lago.

    Foto: EFE http://img.terra.com.br/i/2012/06/28/2407012-9446-rec.jpg
  • Uma americana sobreviveu mais três dias comendo insetos após cair de um penhasco.

    Foto: Delegacia de Hood River County/Divulgação / BBC Brasil http://img.terra.com.br/i/2012/06/28/2407014-0496-rec.jpg
  • Imagem mostra momento do resgate de Hiromitsu Shinkawa, que sobreviveu dois dias agarrado a um pedaço de telhado.

    Foto: AP http://img.terra.com.br/i/2012/06/28/2407016-8700-rec.jpg
  • Cedric Genoud, 21 anos, passou 17 horas preso sob meio metro de neve depois de uma avalanche nos Alpes. Ele foi encontrado vivo.

    Foto: Reuters http://img.terra.com.br/i/2012/06/28/2407020-8162-rec.jpg
  • Bombeiro cava para ajudar Cedric Genoud a sair da neve

    Foto: Reuters http://img.terra.com.br/i/2012/06/28/2407021-5426-rec.jpg
  • Antônio Ferreira dos Santos, 34 anos, (sem camisa), sobreviveu 15 dias perdido na floresta após sair para caçar.

    Foto: Bombeiros / Divulgação http://img.terra.com.br/i/2012/06/28/2407024-6532-rec.jpg
  • O alpinista americano Yong Chun Kim, 66 anos, conta como sobreviveu dois dias perdido no Mount Rainier, em Washington, durante uma tempestade de neve. Para sobreviver durante todo este tempo, Kim se escondeu embaixo de árvores, cavou um túnel na neve e queimou notas de dólares

    Foto: AP http://img.terra.com.br/i/2012/01/18/2186024-3250-rec.jpg
  • O alpinista liderava um grupo de 16 pessoas que percorriam trilhas pela montanha quando se perdeu

    Foto: AP http://img.terra.com.br/i/2012/01/18/2186028-5973-rec.jpg
  • Uma forte tempestade de neve atingiu a região no momento em que Kim estava perdido nas trilhas do Parque Nacional de Mount Rainier

    Foto: AP http://img.terra.com.br/i/2012/01/18/2186029-4370-rec.jpg
  • O resgate de Kim mobilizou cerca de 90 pessoas

    Foto: AP http://img.terra.com.br/i/2012/01/18/2186030-2850-rec.jpg
  • O alpinista enfrentou ventos de quase 80 km/h e lançando uma nova camada de neve de mais de 70 centímetros de espessura

    Foto: AP http://img.terra.com.br/i/2012/01/18/2186035-2960-rec.jpg
  • O alpinista também tentou se manter em movimento durante os dois dias em que esteve perdido, dormindo por pouco tempo.

    Foto: AP http://img.terra.com.br/i/2012/06/28/2407036-6013-rec.jpg
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