Polícia investiga apostilas com deboches sobre a história de MT

Material utiliza deboches e expressões presentes no site Desciclopédia para falar sobre a história de cidades do Mato Grosso

17 abr 2013
15h43
atualizado às 17h33
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A Polícia Civil de Mato Grosso informou nesta quarta-feira que abriu uma investigação para apurar indícios de sabotagem nas apostilas distribuídas a alunos do curso de capacitação em hotelaria e turismo, promovido pelo governo do Estado. Pelo menos 40 livros foram recolhidos. Eles continham palavrões e deboches sobre a história dos municípios de Cáceres, Santo Antônio de Levergere, Barão de Melgaço e Poconé.

A Gerência de Combate a Crimes de Alta Tecnologia vai apurar como trechos de textos ofensivos foram inseridos no material. Por meio de nota, o coordenador de Inteligência Tecnológica, delegado Anderson Viega, disse que possivelmente ocorreu uma falha na segurança da informação, facilitando a sabotagem no material praticado por meio eletrônico.

O diretor de projetos do Instituto Concluir, responsável pela elaboração do material, afirmou ao Terra que a suspeita é de que ex-professores ou pessoas ligadas à empresa possam ter acessado o conteúdo disponível nos computadores do instituto e praticado a sabotagem. Ele ainda negou que possa ter ocorrido falha na revisão do material antes de ser entregue aos alunos.

"A falha ocorreu em apenas 40 apostilas em um universo de 7 mil e somente 18 chegaram aos alunos. Acreditamos em sabotagem e por isso pedimos investigação da polícia", disse Aroldo Portela. Segundo ele, o governo estadual não tem nenhuma responsabilidade pela falha.

O material faz parte do Programa Qualifica Mato Grosso, de responsabilidade da Secretaria do Trabalho e Assistência Social e que oferece cursos profissionalizantes para 3,2 mil alunos de 60 municípios.

O representante do instituto disse ainda que as informações presentes nas apostilas do módulo de história e geografia provavelmente foram retiradas do site Desciclopédia, já que apresentam conteúdo semelhante. Em um dos trechos, que fala sobre Poconé, a cidade é apresentada como um “vilarejo colonizado por faiscadores, muambeiros, aventureiros, meretrizes, mercadores e outros tipos comuns naqueles filmes de faroeste que, seduzidos pela abundância do ouro facilmente extraído, acabaram naquele fim de mundo onde ficaram presos para sempre”.

Em outro trecho, a apostila diz que a cidade de Cáceres foi colonizada por "índios tabajaras, freiras lésbicas celibatárias, e fugitivos de um circo de horrores holandês". O material causou indignação em muitos estudantes, que se recusaram a utilizar o material. A diretoria do Instituto Concluir disse que já retirou todas as apostilas com erro de circulação e que os alunos devem receber um novo material até amanhã.

Por meio de sua assessoria, a Secretaria Estadual do Trabalho e Assistência Social disse que só vai se pronunciar após o fim das investigações.

Terra

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