OAB: professores criticam prova e pedem anulação de questões

Especialistas dizem que enunciados foram mal elaborados e dizem que a prova foi longa e cansativa, o que deve aumentar o percentual de reprovação

20 ago 2013
18h08
atualizado às 19h46
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Com índices de reprovação que já atingiram até 90% dos candidatos em edições anteriores, a prova da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) virou pesadelo para muitos estudantes e bacharéis em direito. Na última edição da prova, que teve a primeira fase aplicada no domingo, além das dificuldades normais para o exame, candidatos reclamaram de perguntas mal elaboradas e respostas confusas. A impressão é embasada pela opinião de professores de cursinhos preparatórios, que defendem a anulação de pelo menos seis das 80 questões objetivas.

Candidatos terão até às 18h para responder as 80 questões do exame
Candidatos terão até às 18h para responder as 80 questões do exame
Foto: Renato S. Cerqueira / Futura Press

"O principal problema foi a falta de cuidado na elaboração da prova. Tivemos enunciados faltando informações fundamentais, enunciados contraditórios, respostas incorretas", disse o professor de direito civil e do consumidor da rede LFG, João Aguirre. Na opinião dele, até nove questões poderiam ser anuladas por erros e inconsistências nos enunciados.

O professor Darlan Barroso, diretor pedagógico dos cursos preparatórios do Damásio Educacional, concorda com as falhas, mas defende que os erros mais graves foram verificados em seis questões: 47 (direito do consumidor, da prova verde), 50 (empresarial), 60 (penal), 65, 66 e 67 (processo penal). "Apesar dos problemas graves, a OAB não tem o histórico de anular tantas questões, acredito que serão no máximo três anulações", ponderou.

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Os dois especialistas concordam que os erros prejudicam os candidatos. "O que nós percebemos é que a FGV (Fundação Getulio Vargas, responsável pela prova) não está medindo o conhecimento básico para um advogado, e sim está criando obstáculos para a aprovação", criticou Aguirre. Segundo ele, outro problema verificado nesta edição foi o tamanho dos enunciados, o que deixou a prova longa e cansativa.

Na avaliação de Darlan Barroso, a dificuldade da prova deve gerar um alto índice de reprovação na primeira fase. "Na última edição, tínhamos fila (no cursinho) de pessoas querendo fazer a matrícula para o preparatório para a segunda fase. Agora a procura está mais baixa", disse ao afirmar que isso reflete o baixo desempenho dos estudantes no exame.

Os professores aconselham os estudantes a entrar com recurso contra os resultados após a divulgação do resultado preliminar, que será feita no dia 28 de agosto. O prazo vai até o dia 31. Para quem acertou pouco menos 40 questões (o limite para ser aprovado para a segunda fase), eles indicam continuar os estudos para a próxima etapa, já que algumas questões podem ser anuladas.

A Fundação Getulio Vargas (FGV) não comenta as críticas à prova e recomenda que os candidatos ingressem com recursos no prazo previsto no edital.

Exame Inscritos Aprovados Taxa de aprovação Questões anuladas
108.355 50.624 46,72% 1
101.246 36.566 36,16% 2
111.909 32.137 28,72% 3
117.852 51.278 43,51% 0
118.537 19.134 16,14% 3
10º 124.887 67.441 54,00% 0

Fonte: Terra
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