A chilena Camila Vallejo, que liderou os protestos de 2011 no Chile pedindo uma grande reforma educativa, disse nesta sexta-feira que o movimento está em uma etapa de reflexão na qual analisa como incorporar outros setores sociais e talvez passar à política.
"Estamos em uma etapa de recuo, os movimentos não são lineares. O movimento não tem todos os recursos que dispõem os poderes fáticos ou o governo, o Parlamento, os meios de comunicação, o poder econômico", afirmou em entrevista coletiva na Fundação Rosa Luxemburgo, em Berlim.
Segundo a vice-presidente da Federação de Estudantes da Universidad de Chile (Fech), "o movimento teve bastante consciência que suas demandas não podiam ser facilmente resolvidas por um governo de direita e sob o atual sistema político".
Por outro lado, segundo sua opinião, conseguiu "pôr em evidência as carências do sistema e conscientizar à população sobre a necessidade de uma mudança estrutural", disse.
A dirigente estudantil acrescentou que o objetivo para 2012 é consolidar o movimento "em sua base territorial" para "tentar deslocar os setores que não nos permitem avançar, que são os mais reacionários e conservadores de nosso país".
Trata-se de "incluir não só estudantes e professores, mas também trabalhadores, movimentos ecologistas e outras organizações com perspectiva antineoliberal", explicou. Camila também antecipou que está estudando se, além de "fortalecer outras práticas de trabalho, de discussão política fora da institucionalidade", quer "disputar como movimento os municípios, o Parlamento e obviamente o governo".
A líder estudantil faz parte de uma delegação chilena integrada também pelo dirigente nacional da Central Única de Trabalhadores do Chile, Jorge Murúa, e da secretária-geral das Juventudes Comunistas do Chile, Karol Cariola. A delegação, em viagem para se reunir com diferentes atores sociais e políticos, visitará várias cidades de Alemanha, Suíça, Suécia e Itália.

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