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 Chile: estudantes fazem 'marcha dos guarda-chuvas' para protestar
18 de agosto de 2011 12h35 atualizado às 18h22

Os estudantes enfrentaram forte chuva e até neve para protestar por melhorias na educação chilena. Foto: Reuters

Os estudantes enfrentaram forte chuva e até neve para protestar por melhorias na educação chilena
Foto: Reuters

Milhares de estudantes chilenos protestaram nesta quinta-feira em Santiago em defesa da educação pública de qualidade, mantendo assim a pressão sobre o governo que na véspera fez sua terceira proposta para destravar o conflito. Chuva e neve acompanharam os estudantes durante todo o trajeto, que foi chamado nas redes sociais de "marcha dos guarda-chuvas".

Eles voltaram a se reunir na avenida Alameda para protagonizar o sexto dia de protestos desde que o conflito com o governo foi iniciado, em maio. "Com chuva, frio e inclusive neve em algumas partes de Santiago, os estudantes voltaram a sair às ruas", disse um dos líderes estudantis, Camilo Ballesteros, para uma marcha que reuniu 40 mil pessoas, segundo veículos locais.

Levando guarda-chuvas ou cobertos com sacos plásticos, os estudantes buscavam demonstrar a força de seu movimento que defende o fortalecimento da educação pública no Chile. Diferentemente de outras convocações, desta vez não foram registrados incidentes e, pelo contrário, houve danças e manifestações artísticas ao longo da caminhada.

A manifestação também movimentava as redes sociais, nas quais recebia milhares de mensagens de apoio. O novo protesto é realizado um dia após a apresentação por parte do governo de uma terceira proposta para destravar o conflito, que já se estende por quase três meses.

A proposta, classificada anteriormente pelos estudantes como ambígua, amplia benefícios já concedidos a estudantes que recebem bolsas de gratuidade e uma redução de juros dos empréstimos para financiar mensalidades do ensino superior, mas não representa uma reformulação do sistema educativo chileno, como pedem os estudantes.

"Acreditamos que houve avanços, mas estes ainda não respondem às mudanças estruturais que requer a educação chilena, por isso, é necessário continuar pressionando", completou Ballesteros. A proposta de quarta-feira do governo oferece um pouco mais do que já tinha oferecido antes.

"Estamos colocando toda a carne na grelha", disse o ministro da Educação, Felipe Bulnes, para endossar o esforço do governo em ampliar os benefícios já existentes. Em relação a uma proposta anterior e em resposta à gratuidade exigida pelos estudantes para todos aqueles que não podem pagar por seus estudos, o governo propôs ampliar a porcentagem de beneficiários de bolsas de estudo de 40% a 60% dos estudantes em situação mais vulnerável.

Além disso, propõe uma redução do juros dos créditos educativos, atualmente de 5,6% e que o governo diz que baixará para 2%.

O governo propôs também uma mudança constitucional para que o Estado garanta a educação de qualidade e a desmunicipalização dos colégios públicos, duas propostas simbólicas para os estudantes, que pedem uma refundação do sistema e não meras mudanças no já existente.

O presidente Sebastián Piñera, cuja popularidade caiu para 26% devido a estes protestos estudantis, fez um chamado ao fim da violência, citando especificamente as pedras e os coquetéis molotov lançados em outras marchas de estudantes, mas não na desta quinta-feira. Sem mencionar os estudantes, Piñera afirmou que esse caminho da violência "prejudica a democracia, leva à perda da sã convivência, e tem muitas outras consequências".

"Três meses de mobilizações e hoje há mais uma marcha. Evidência bruta de que o governo não entendeu ainda o que os estudantes querem", afirmou a socióloga e presidente da Corporação Latinobarômetro, Marta Legos. "O governo está oferecendo 'fast food' e os estudantes estão pedindo comida gourmet. Por isso não se entenderam ainda", completou.

AFP
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