Sintusp diz que trabalhadores vão radicalizar o movimento
Foto: Ricardo Matsukawa/Terra
- Thaís Sabino
- Direto de São Paulo
Os funcionários da Universidade de São Paulo (USP) decidiram continuar a greve e ocupação no prédio da reitoria, durante a assembleia realizada na manhã desta terça-feira. Após o fracasso da reunião entre a comissão de negociação da reitoria e os representantes do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) na segunda-feira, eles ainda prometeram "radicalizar o movimento", de acordo com o diretor de base do Sintusp, Magno de Carvalho.
No encontro que aconteceu em um prédio na rua Itapeva, no centro da capital paulista, a proposta da reitoria se baseou no pagamento dos salários cortados "em até quatro dias úteis, após o encerramento da greve". Quanto ao reajuste, eles propuseram "examinar" a reivindicação de aumento de 5% na carreira, feito pelos grevistas, após o final da paralisação. A incerteza sugerida pela palavra "examinar" motivou a recusa da proposta durante a assembléia realizada entre os funcionários pouco depois da reunião.
As reivindicações agora são a "certeza" do reajuste de 5%, não punição pelos dias não trabalhados e pagamento dos salários cortados, de acordo com Magno.
Segundo a assessoria de imprensa da reitoria da USP ainda não há data para uma nova reunião e nem uma determinação oficial quanto à recusa da proposta.
Novos cortes nos salários
Com o fechamento da folha de ponto na segunda-feira, Magno afirmou que algumas unidades ameaçaram enviar o documento com especificação das horas não trabalhadas. Isso motivou os trabalhadores a se reunirem no prédio de Odontologia no início desta tarde e protestar contra a ação pretendida pelo diretor da unidade.
"Talvez amanhã tenhamos que ir à Poli, pois há um boato que eles também querem cortar", disse Magno. Entretanto, a certeza sobre o corte só virá no início de julho, quando os funcionários recebem o salário. "Queremos resolver isso antes do pagamento", afirmou.
O movimento
A greve teve início por conta do reajuste de 6% dado aos docentes, além dos 6,57% oferecido a todos os servidores das universidades paulistas. Os funcionários estão paralisados desde o dia 5 de maio e reivindicavam que o mesmo benefício fosse concedido a eles, garantindo a isonomia em termos de reajuste salarial. Em assembleia com os grevistas no início da tarde da última quinta-feira, o Sintusp decidiu aceitar negociar um aumento de 5% em vez dos 6,57%, antes reivindicados.
Já a ocupação do prédio da reitoria se deu por conta do corte do ponto de duas unidades operacionais. A medida cortou o salário de cerca de mil funcionários que participavam da paralisação. A desocupação só acontecerá mediante o pagamento do valor descontado.
- Especial para Terra





