Apesar dos problemas na realização da primeira prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) usada como exame para acesso ao ensino público superior (caso do vazamento que provocou o adiamento e a reelaboração dos testes), o sistema conta com apoio dos segmentos ouvidos pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) do Senado Federal, em audiência realizada na manhã de quarta-feira, 10 de março.
O representante da Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Edward Madureira Brasil, observou que praticamente todas as universidades públicas utilizaram o Enem, em diferentes graus, para selecionar os alunos que estão ingressando esse ano. "Essa é a tendência. Vemos uma concordância entre os reitores", disse, depois de rejeitar a tese de que a adesão ocorra com prejuízo à autonomia universitária.
Os debatedores apontaram, no entanto, que o sistema necessita de aperfeiçoamentos. Há dois meses no comando do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Joaquim José Soares Neto chegou a considerar a possibilidade de os alunos passarem a fazer provas em terminais de computador nos lugares onde houver estrutura adequada.
O presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Yann Evanovick, defendeu, entre outras medidas, o fim das terceirizações de atividades relacionadas ao Enem. Não só a elaboração, como toda a parte de produção e distribuição das provas deve ficar sob controle público, defendeu Evanovick.
Apenas o vice-presidente do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Educação Superior (Andes), Antônio Lisboa Leitão, fez restrições ao sistema unificado de alcance nacional. Com esse caráter, afirmou, o exame induz os alunos a uma procura pelos cursos de universidades já consolidas, com nível de ensino mais elevado: "Isso não contribui para igualar o padrão de qualidade, num nível que toda a educação superior deve ter para equalizar o próprio desenvolvimento nacional".

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