- Laryssa Borges
- Direto de Brasília
O ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira que o vazamento de questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) continua sendo "traumático", mas começa a ser superado pelo governo.
"Os infortúnios das últimas semanas, que foram muito difíceis e traumáticos para todo o órgão, desde o furto das provas, vão sendo gradualmente superados. A questão do sigilo do Enem é muito mais dramática que a Prova Brasil ou do Enade (avaliação de cursos e instituições). No caso do Enem, a nota distribui bolsas de estudo e vagas nas instituições federais. O Enem é uma prova distinta de todas as outras do Inep e exige um rigor e uma segurança muito maior", comentou o ministro.
Ao anunciar o nome do físico Joaquim Neto como novo presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Haddad ressaltou que o novo coordenador do órgão do governo responsável pelas avaliações e pelas estatísticas nacionais do setor, poderá trazer grandes contribuições, uma vez que ocupou a chefia do Centro de Seleção e Promoção de Eventos (Cespe) da Universidade de Brasília (UnB). Coube ao Cespe a realização, em caráter emergencial, da nova prova do Enem, que foi aplicada no início de dezembro.
"Acredito que (o presidente do Inep ter vindo do Cespe) facilita muito. Existem problemas da administração pública com concurso. O que aconteceu com o Enem só ganhou a proporção que ganhou pelo número de pessoas envolvidas. Exames grandes com 200 mil, 300 mil, 400 mil também sofrem grandes problemas. Estamos tendo problemas na área de avaliação e de concurso. Isso depende de uma estabilização de regras para darmos mais segurança. São questões muito sérias que a licitação de 2009 (do Enem) trouxe à tona", destacou o ministro.
Fernando Haddad afastou a possibilidade de, pelo fato de Joaquim Neto ter como origem o Cespe, o governo poder ser vítima de um conflito de interesses. "O Cespe é um órgão público. Ele (Joaquim Neto) está saindo de um órgão público e indo para outro. É como um ministro que muda de pasta. É uma troca de função rotineira".
Referência internacional
A despeito do problema de fraude no Enem de 2009, o ministro Fernando Haddad ressaltou que o sistema de avaliação brasileiro se encontra entre os melhores do mundo e funciona como uma referência internacional.
"O Brasil certamente tem o melhor sistema de avaliação de educação do mundo hoje, desde a alfabetização. É um país que amadureceu muito desde os anos 90 para cá e se tornou uma referência internacional", disse.
"A prova de dezembro (do Enem) saiu nos moldes das edições anteriores, o que reforça a tese de que poucas entidades conseguem realizar um empreendimento desse porte. Eu só conheço o Cespe e a Cesgranrio", resumiu o ministro.
- Redação Terra



