A audiência pública sobre o novo acordo ortográfico, realizada nesta quarta-feira pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE), trouxe à tona uma série de críticas que estão sendo feitas por linguistas e educadores desde que o acordo foi firmado em 1990 com os demais países de língua portuguesa. Avaliando as questões levantadas, alguns senadores sugeriram a ampliação do debate com a sociedade. As informações são da Agência Senado.
A senadora Marisa Serrano (PSDB-MS) afirma que uma alternativa que deve ser analisada pela comissão é a aprovação de uma lei que autorize o governo a sugerir modificações no texto da reforma ortográfica. O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) também defendeu a revisão do acordo.
Segundo a Agência Senado, o senador Flávio Arns (PSDB-PR) disse ter ficado "abismado com o nível de dificuldade que o acordo está trazendo para a vida nacional" e perguntou quem estaria a favor do acordo.
Até agora, o Brasil foi o único país que adotou oficialmente o acordo que define que a implantação das mudanças na língua deverá estar concluída até 2013.
Críticas
Segundo a agência Senado, o presidente de honra da Academia Brasileira de Filologia, Leodegário Amarante de Azevedo Filho, sustenta que existe grande resistência à adoção da reforma ortográfica estabelecida pelo acordo, principalmente entre escritores portugueses.
Leodegário apontou a existência de problemas como a extinção do trema, que tem uma função ao indicar a pronúncia das palavras, e a manutenção de consoantes mudas, como o c na palavra 'actor'. "Os portugueses não abrem mão das consoantes mudas, que não têm função, enquanto o trema, que tem função, foi eliminado", disse.
A reação dos portugueses à mudança também foi ressaltada pelo representante da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação, Walter Esteves Garcia. Na opinião de escritores de Portugal, relatou, o Brasil está querendo impor uma revisão da língua ao país onde a língua foi criada.
O professor Ernani Pimentel lançou o movimento 'Acordar Melhor', em protesto contra a reforma. O movimento é destinado a aperfeiçoar a reforma ortográfica. Ernani Pimentel diz que a reforma teria fugido a seus objetivos iniciais, quando, por exemplo, eliminou o trema. Em sua opinião, a reforma ortográfica deveria eliminar exceções a regras e duplas grafias, além de padronizar os radicais. "Não houve uma discussão democrática e aberta", afirmou.






