Em reunião na Comissão de Educação, Cultura e Esporte no Senado, o ministro da Educação, Fernando Haddad, falou que cabe à Polícia Federal investigar o vazamento das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e aos auditores do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep) encontrar os responsáveis pela etapa do processo onde ocorreu o problema.
"É muito difícil atribuir responsabilidades ao contratante. (...) A contratada criou uma área de manuseio que não estava prevista originalmente no plano de segurança.", disse o Ministro. "O limite entre a capacidade de fiscalização do contratante e da responsabilidade do contratado é o que a auditoria dos servidores do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais vai averiguar", completou.
Haddad afirmou que existem muitas etapas no processo onde podem ocorrer erros. "O processo do Enem é extremamente complexo. Só locais de prova, são 10 mil, são 100 mil salas de aula, 250 mil profissionais envolvidos no processo", completou. Segundo ele, o MEC tomou as providências de segurança que considerava necessárias.
O ministro falou ainda que a quebra do sigilo de concursos públicos "é muito mais comum do que se imagina" e salientou a importância de organizar as instituições do País para garantir a segurança desses processos. "A inteligência do Estado deveria estar mais bem organizados para evitar crimes de quebra de sigilo em concursos", disse.
Na reunião, os senadores parabenizaram o ministro pela maneira como o caso de vazamento da prova foi conduzido e afirmaram que confiam no processo de seleção do Enem. No entanto, se mostraram preocupados com a credibilidade do exame perante aos adolescentes.
Haddad lembrou os senadores presentes sobre a importância do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como meio de acesso às universidades e sobre a necessidade de conscientizar os alunos dessa importância. "O Enem não tem este ano um tamanho maior do que tinha o ano passado. Desde o Prouni são 150 mil bolsas por ano que são selecionadas pelo Enem", afirmou.
Sobre a necessidade de concientizar os alunos, o ministro afirmou ainda que no mês de novembro será feita uma campanha em prol do Enem, na qual se pretende conscientizar os candidatos de uma série de atitudes para auxiliar na rapidez e eficiência no Exame.
Haddad passou o fim da manhã desta quarta-feira na Câmara dos Deputados também prestando esclarecimentos sobre o vazamento da prova do Enem.
Cancelamento Enem
O Ministério da Educação cancelou na madrugada do dia 1 de setembro a realização do Enem, que seria aplicado no último final de semana, 3 e 4 de outubro, para mais de 4 milhões de pessoas em todo o País. O cancelamento ocorreu em virtude do vazamento da prova. As provas seriam aplicadas em 113.857 salas de 10.385 escolas do País. O exame foi remarcado para os dias 05 e 06 de dezembro.
A fraude foi descoberta depois que um homem telefonou para o jornal O Estado de S. Paulo informando que tinha em mãos duas das provas que seriam aplicadas no sábado pelo Ministério da Educação. A Polícia Federal indiciou cinco pessoas pelo crime. Os acusados responderão processo em liberdade.
Após a fraude, o Ministério da Educação rompeu o contrato com o consórcio Connasel, responsável pela aplicação do exame. A empresa, porém, nega falhas na segurança.















