- Elaine Lina
- Direto de Brasília
O ministro da Educação, Fernando Haddad, disse nesta quarta-feira em audiência na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, que segue a investigação acerca das responsabilidades civis pelo vazamento da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), e, consequentemente, a definição dos responsáveis que pagarão a conta do prejuízo. Como principal ponto da apuração está a mudança no plano logístico da impressão da prova realizado pela contratada. Segundo o Ministro, a falha de segurança ocorreu porque "não foi cumprido o plano logístico pactuado."
A investigação, segundo ele, está concentrada nos motivos que levaram a um "ambiente de manuseio" das provas fora do plano estabelecido entre o MEC e o consórcio responsável pela execução da prova. Conforme Haddad, o acordo previa a impressão da prova em uma gráfica de São Paulo e seu manuseio no Rio de Janeiro. Porém, a prova foi aberta em um galpão vizinho ao setor de impressão da gráfica, sem respeitar as exigências de segurança.
"Criou-se de última hora um ambiente contíguo ao de impressão onde funcionários contratados de última hora fizeram o manuseio das provas que seriam distribuídas no Estado de São Paulo", afirmou.
Isso aconteceu sem que o poder público fosse alertado, afirmou o ministro. "A logística foi alterada sem que o Inep fosse informado. Por que a decisão foi tomada e por que o poder público não foi alertado? E mesmo que o poder público tivesse autorizado, isso não isenta o consórcio da responsabilidade pela segurança".
Segundo ele, é sobre isso que a auditoria está trabalhando. "Se ficar demonstrado que essas providências foram tomadas dessa maneira, sem as devidas cautelas, fica caracterizado que não foi um caso fortuito, já que o ambiente não era seguro.!
"Por que a decisão foi tomada e por que o poder público não foi alertado? E mesmo que o poder público tivesse autorizado, isso não isenta o consórcio da responsabilidade pela segurança", declarou.
O Ministro afirmou ainda que se a fraude fosse descoberta depois da aplicação do Enem, o MEC anularia os resultados da prova e teriam sido desperdiçados todo o esforço e estresse dos estudantes nas 10 horas de provas do processo seletivo. "Nós cancelamos o exame, mas poderia ter sido muito pior", disse Haddad.
Cancelamento Enem
O Ministério da Educação cancelou na madrugada do dia 1 de setembro a realização do Enem, que seria aplicado no último final de semana, 3 e 4 de outubro, para mais de 4 milhões de pessoas em todo o País. O cancelamento ocorreu em virtude do vazamento da prova. As provas seriam aplicadas em 113.857 salas de 10.385 escolas do País. O exame foi remarcado para os dias 05 e 06 de dezembro.
A fraude foi descoberta depois que um homem telefonou para o jornal O Estado de S. Paulo informando que tinha em mãos duas das provas que seriam aplicadas no sábado pelo Ministério da Educação. A Polícia Federal indiciou cinco pessoas pelo crime. Os acusados responderão processo em liberdade.
Após a fraude, o Ministério da Educação rompeu o contrato com o consórcio Connasel, responsável pela aplicação do exame. A empresa, porém, nega falhas na segurança.















