Pequenos furtos, adolescentes armados e envolvidos com o tráfico, brigas constantes. A violência das ruas atravessou os portões de escolas públicas e fez com que situações como essas, vividas até então apenas por policiais, passassem a fazer parte do dia-a-dia dos professores. Ameaçados e acoados pelos alunos, em muitos casos eles não sabem como agir em situações de risco quando elas envolvem menores, amparados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
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Para orientar professores sobre o que fazer durante os conflitos na escola e, principalmente, resgatar a autoridade deles e evitar que os alunos entrem para o mundo do crime, a Polícia Civil criou o projeto Escola Segura.
Com a filosofia de polícia comunitária, ele já atendeu cerca de 1,2 mil alunos de janeiro até agora no Rio, em Niterói e Mangaratiba. Os pais dos alunos também são assistidos pelo projeto.
"Depois que o aluno põe a mão num fuzil, não adianta mais. Nesse caso, nem a polícia e nem o professor vão dar jeito. É preciso agir antes que isso aconteça. Isso é prevenção", diz um dos idealizadores do projeto, o delegado Deoclécio Francisco de Assis, titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).
Para ele, o Escola Segura tem ainda outros papéis: o de resgatar a imagem da polícia e aproximar a instituição da sociedade. "Muita gente hoje vê o policial apenas como uma pessoa repressora. Temos que fazer com que as pessoas voltem a acreditar na polícia", analisa o delegado. O projeto é dirigido pela chefe de gabinete da Polícia Civil, delegada Patrícia Alemany, e feito com a Secretaria Estadual de Educação.
O Escola Segura já chegou ao Colégio Machado de Assis, no Fonseca, em Niterói; ao Instituto de Educação, na Tijuca; e ao Colégio Estadual Amaro Cavalcanti, no Largo do Machado. Ele foi levado por um grupo de policiais que visitam as instituições de ensino para apresentar o programa.
"A adesão é voluntária. Basta que a escola queira participar e o resto nós fazemos", explicou Patrícia, referindo-se às palestras dadas nas escolas e à cartilha entregue à direção do colégio.
Objetivo é estreitar relação com policiais
Cartilhas são entregues nos colégios e ajudam a conduzir os professores. "É para orientá-lo no seu dia-a-dia, já que o policial não vai poder estar na escola o tempo todo", conta a delegada. Mas o trabalho dos policiais não pára por aí.
Essa primeira etapa tem a função de estreitar a relação da escola com a Polícia Civil. Em situações de conflito, esse grupo é acionado para orientar os profissionais.
"Nem sempre é preciso a presença física do policial. Mas se for o caso, vamos pessoalmente", disse Patrícia, que pretende formar um grupo de, pelo menos, 20 delegados para atuar no projeto.
"Vários colegas já se apresentaram querendo participar", comemora ela. O Escola Segura não está restrito ao universo da violência nas escolas. Ele educa os alunos em segmentos, como meio ambiente e trato com o idoso.
Quando a escola vira caso de polícia
Deoclécio explica que o projeto foi criado com base no dia-a-dia das ocorrências da DPCA. "Percebemos que muitas situações que chegavam à delegacia aconteciam nas escolas ou no entorno delas envolvendo alunos. Algumas nem chegavam a ser caso de polícia, mas por não conhecerem os procedimentos legais, os professores e diretores acabam vindo à DPCA", diz o delegado.
"A polícia é procurada para resolver situações de risco. Mas há casos que podem ser levados ao Conselho Tutelar. Costuma acontecer o inverso também. Lá, eles recebem ocorrências que deveriam primeiro ser registradas na delegacia. Essa falta de informação por parte dos responsáveis atrapalha o trabalho da polícia", avalia o titular da DPCA, que também defende a realização de conversas mais francas entre responsáveis e menores.

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