A máxima "não dê o peixe, ensine a pescar" vem sendo seguida à risca por algumas empresas brasileiras. Sem mão-de-obra especializada para preencher as vagas que surgem, a saída é ensinar. A Vale, gigante da mineração, é uma das companhias que vem incluindo em seus quadros formandos de pós-graduações desenvolvidas em parceria com universidades.
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Somente neste ano, a empresa ofereceu 350 bolsas para os programas de especialização em Mineração e pós-graduações em Porto e Engenharia Ferroviária, dentro de um projeto chamado Especialização Profissional da Vale.
O engenheiro eletricista Patrick Silgueira, 24 anos, foi um dos selecionados para participar da pós em Porto, desenvolvida em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Formado pela Federal do Espírito Santo, Silgueira foi um dos 5.670 inscritos para as 50 vagas destinadas ao mercado. "É uma oportunidade única de aprendizado", resume Patrick, que deixou um mestrado em Engenharia Elétrica em stand-by para se dedicar à pós da Vale. A peneira foi feita através de currículo e entrevista.
Para fazer o curso de 360 horas/aula, a dedicação é exclusiva. Por isso, a companhia oferece uma bolsa de R$ 3 mil durante os três meses de duração das aulas, em Vitória, no Espírito Santo. "Antes nós recebíamos engenheiros de diversas formações e eles iam aprendendo sobre porto dentro do porto mesmo. Agora, com este curso, o treinamento que chegava a demorar três anos pode ser feito em alguns meses", destaca o diretor de Operações Portuárias da Vale, Humberto Freitas.
A coordenadora de Educação Profissional da Vale, Tatiana Matos, faz coro: "porto é um negócio muito específico. Assim como não existe hoje uma graduação em Engenharia Ferroviária", exemplifica.
Além de um diploma com o aval da Vale, outra característica que atraem uma multidão de candidatos é a possibilidade real de emprego. O último grupo de formandos em Engenharia Ferroviária foi todo aproveitado pela companhia, conta Tatiana. "Customizamos programas a partir de necessidades da Vale, mas isso não quer dizer que o profissional não vai poder aplicar o conhecimento em qualquer outra empresa", avalia. "Mas a expectativa é de que possamos aproveitar os funcionários no quadro", admite.
O programa de especializações faz parte da campanha lançada, este ano, pela mineradora, que prevê a geração de 62 mil novos postos de trabalho no mundo nos próximos cinco anos.














