Noventa e um dias após início do ano letivo, ainda há 20 mil estudantes sem aulas na rede estadual do Rio de Janeiro. A falta de professores espantou os alunos, principalmente no turno da noite.
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"A sala era cheia, tinha mais de 40 pessoas. Hoje, se tiver 20 alunos é muito", disse a O Dia Sebastião Araújo, 28 anos, que está no 2º ano do Colégio Estadual Guilherme Briggs, Niterói.
Marconi Silva, 39 anos, é um dos que não resistiram. Entregador, decidiu voltar a estudar após 20 anos longe das salas de aula. Depois de trabalhar 8 horas por dia, tinha fôlego para tentar concluir o Ensino Fundamental. Mas há um mês abandonou a 8ª série para ajudar a mulher a preparar e vender salgadinhos, que complementam a renda da família. ¿Só tinha aula de Educação Física, Português e Religião. Ia lá pra perder tempo", lamenta.
Enquanto 356.231 alunos se matricularam em turmas de 5ª a 8ª séries da rede estadual em 2005, somente 21.769 receberam o diploma. Muitos ficam pelo caminho, por reprovação ou simplesmente por desistência da escola. O número desse ano deve ser ainda mais alarmante.
Apesar de ser o líder nacional em número de matrículas, no ano passado o Rio foi o 4º colocado entre os Estados brasileiros quando o assunto é permanência em sala. Embora as crianças queiram estudar, somente 62% do tempo delas na escola é ocupado com aulas - o resto não tem uso.














