Jovens nascidos na periferia estão mais sujeitos à violência urbana, à maternidade precoce e à evasão escolar. Segundo a pesquisa da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) de São Paulo, há uma estreita relação entre a criminalidade e a falta de estudo. Nas áreas pobres, há o dobro de adolescentes entre 15 e 17 anos fora dos bancos escolares do que aqueles que moram em bairros nobres da cidade e que têm acesso a boas escolas.
» Leia mais notícias do jornal O Dia
De acordo com a pesquisa, o aumento no número de matrículas, principalmente no Ensino Médio, traduziu-se em menos assassinatos e gravidez de adolescentes. A redução da mortalidade na juventude (de 70%) foi assinalada principalmente nas áreas mais pobres.
O dobro de jovens de 14 a 17 anos dessas áreas teve filhos em relação aos bairros ricos; além disso, os jovens de 15 a 19 anos morreram por homicídio três vezes mais que nos bairros ricos. A evasão escolar em bairros periféricos é o dobro da registrada em localidades mais nobres: 14,9% e 7,6%, respectivamente.
Na disputa por um lugar no mercado de trabalho, jovens de baixa renda também saem em desvantagem com aqueles nascidos nas famílias de melhor poder aquisitivo. Para o economista e diretor do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS) e ex-secretário municipal de Trabalho, André Urani, quem antes conseguia uma vaga apenas com o diploma do Ensino Médio hoje precisa passar muito mais tempo nos bancos escolares para se destacar. "A falta de perspectivas e a desmotivação nas escolas da rede pública leva o jovem para a marginalidade, porque quer consumir e não está no mercado de trabalho, que se retraiu", explica o economista.
Segundo ele, hoje mais da metade dos jovens no Estado do Rio entre 15 e 17 anos está fora da escola. "Eles têm consciência de que a escola é ruim e que dificilmente levará a algum lugar", avalia André Urani.















