Milhares de chilenos retomam marcha por educação gratuita

Milhares de chilenos retomam marcha por educação gratuita

25 abr 2012
16h52
atualizado às 17h36

Milhares de estudantes marcharam nesta quarta-feira pelas principais cidades do Chile no primeiro protesto nacional que reeditou as grandes manifestações que marcaram 2011 e mostrou que o movimento por uma educação pública gratuita e de qualidade permanece de pé. Em uma primeira prova de força, os estudantes demonstraram que seu movimento segue vivo após mais de sete meses de protestos contínuos durante o ano passado, que incluíram a ocupação de centenas de escolas e universidades.

Segundo a polícia, a marcha desta quarta-feira reuniu cerca de 48 mil pessoas, enquanto os organizadores indicaram que o movimento contou como 80 mil manifestantes. A marcha foi realizada em meio a um ambiente descontraído, com estudantes universitários e secundaristas, pais e professores, que iniciaram sua passeata nas imediações da Praça Itália para avançar por várias quadras pela Avenida Alameda, principal artéria do centro de Santiago.

Com as mesmas palavras de ordem, danças e canções apresentadas nos protestos de 2011, os estudantes reafirmaram sua reivindicação por uma educação pública gratuita e de qualidade, em um país que conta com um dos sistemas educacionais mais desiguais do planeta. "Vamos permanecer mobilizados e esta é uma mostra muito clara de que não fomos para casa", disse o presidente da Federação de Estudantes da Universidade do Chile (FECH), Gabriel Boric.

A marcha se desenvolveu pacificamente e terminou na entrada do centro cultural Estação Mapocho, uma antiga estação de trem restaurada, que hoje abriga um centro de convenções. Após o término do ato central, um grupo menor de manifestantes entrou em confronto com a polícia, que os dispersou com jatos d'água e bombas de gás lacrimogêneo. Nas proximidades da Estação Mapocho um posto policial foi queimado por manifestantes encapuzados, que também bloquearam por alguns minutos o tráfego na avenida Alameda.

Marchas parecidas foram registradas em outras cidades do Chile, como Valparaíso, Concepción, Temuco e La Serena. No Chile, as universidades do Estado funcionam na prática como instituições privadas e cobram taxas de juros tão altas quanto as particulares. Não existe a gratuidade.

Os estudantes organizaram a manifestação dois dias depois de o governo ter apresentado uma proposta que atende a uma das principais exigências dos estudantes: acabar com o Crédito com Aval do Estado (CAE), instaurado em 2007 e concedido pelos bancos privados para facilitar o pagamento das mensalidades em universidades particulares, com uma taxa de juros três vezes maior do que a praticada pelas universidades públicas.

A manifestação foi convocada pela Confederação de Estudantes do Chile (Confech), que considerou insuficiente essa proposta do governo. "Conseguimos tirar os bancos da educação, mas ainda temos as taxas mais altas do mundo. Portanto, precisamos de uma reforma que inclua qualidade, crédito, acesso ao financiamento", disse um dos líderes estudantis, Noam Titelman.

Os estudantes chilenos realizaram no ano passado mais de 40 protestos massivos por Santiago, conseguiram derrubar dois ministros e causar uma brusca queda de popularidade do presidente Sebastián Piñera.

 líder estudantil chilena Camila Vallejo marcha ao lado de homem que representa o ex-presidente Salvador Allende
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Foto: AFP
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