MG: escola justifica desempenho no Ideb com boa estrutura e professores

14 ago 2012
20h19

Ney Rubens
Direto de Belo Horizonte

Boa preparação dos professores também é um dos motivos que levaram a escola a ter o melhor desempenho do Brasil no Ideb, diz diretora
Boa preparação dos professores também é um dos motivos que levaram a escola a ter o melhor desempenho do Brasil no Ideb, diz diretora
Foto: Divulgação

O ótimo desempenho dos alunos da 5ª série da Escola Municipal Carmélia Dramis Malaguti, da cidade de Itaú de Minas (MG), no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2011 é "devido à boa preparação dos professores e também ao fato da escola ser muito bem equipada com tudo que é necessário para um bom aprendizado dos alunos". A afirmação é da diretora Maria Flávia Rodrigues Garcia de Oliveira, que dirige a instituição localizada no sul de Minas Gerais pela segunda vez e que nesta terça-feira disse estar "superfeliz" com a divulgação dos resultados. O colégio obteve nota 8,6 na avaliação do Ministério da Educação (MEC) e é o melhor do País nos anos iniciais, ao lado da Escola Municipal Santa Rita de Cássia, em Foz do Iguaçu, na região oeste do Paraná.

"Não sei se o trabalho que a gente faz aqui é especial. A gente acredita que dá certo trabalhar em cima da aprendizagem do aluno utilizando bem os recursos materiais, que a gente tem bastante, humanos e tecnológicos. A escola é muito bem equipada. Por exemplo, tem quase 30 computadores, 26 para uso dos alunos, todos conectados à internet, além de datashow, telões, tvs de lcd, a sala do Proinfo, que é uma doação do MEC", explica.

A diretora disse ainda acreditar que a "boa preparação dos professores" também é um dos motivos que levaram a escola a ter o melhor desempenho do Brasil no Ideb. "Todos os professores aqui passam pelo processo de Formação Continuada. Eles têm cursos extra-horários o ano inteiro. Por exemplo, um professor do 1º ano leciona quatro horas diárias e mais duas horas semanais ele participa do módulo dois, que é um horário de estudo do professor. Ele fica por conta nesse período para estudar, em grupo, com o restante dos professores. Nestes encontros, há trocas de experiências, interpretação de textos. São 60 horas de estudos durante o ano", revela.

Maria Flávia Rodrigues Garcia de Oliveira disse ainda que a escola mantém contato permanente com as famílias dos estudantes, o que diminuiu praticamente em 100% a evasão escolar. "Aqui o aluno faltou dois dias seguidos a gente já entra em contato com a família para saber o motivo. A gente não espera a família nos procurar. Se preciso, vamos até a casa do aluno. Além disso, fazemos reuniões frequentes para passar vídeos que possam ajudar pais e alunos a fazerem reflexões".

Na escola ainda persiste um antigo costume brasileiro. "Eu ainda adoto a fila, com os alunos perfilados no pátio. Acho importantíssimo esse hábito. É a hora que cantamos o hino da cidade e o Hino Nacional toda sexta-feira. E uma vez por mês duas salas de alunos fazem apresentações no pátio com um tema escolhido como, por exemplo, folclore brasileiro", explica.

"E temos ainda um trabalho especial voltado para a leitura. Temos duas sessões, a matinal e a vespertina, nas entradas dos alunos. Essa leitura começou com as professoras lendo e os alunos gostaram tanto que agora cada dia um lê para o restante. É uma leitura curta, uma historinha, um poema, mas que surte efeito", afirma Maria Flávia.

Satisfação
Pai de Eduardo Henrique Domingos de Queiroz, 7 anos, o professor aposentado José Domingos conta que o filho aprendeu a ler ainda no pré-infantil, antes de entrar para a 1ª série da Escola Municipal Carmélia Dramis Malaguti. "No meio do ano passado ele já sabia ler de tudo, qualquer texto lia em voz alta e corrente. Agora, que ele lê qualquer texto, de qualquer tamanho, com palavras grandes, de pronúncia difícil", revela.

"A minha filha já estudou aqui, ela está atualmente na 7ª série de outra escola. Eu já lecionei em escolas da rede pública e privada, e não cheguei a trabalhar em uma escola tão boa quanto essa", declara. "Os professores são muito dedicados e capacitados".

Dados da Escola Municipal Carmélia Dramis Malaguti
- 14 professores;
- duas supervisoras;
- uma vice-diretora;
- 230 alunos moradores do bairro Sagrada Família da cidade de Itaú de Minas;
- educação infantil (1º e 2º período);
- 1º ao 5º ano (anos iniciais).

No exame do Ideb foram avaliados cerca de 40 alunos da 5ª série da escola. A cidade de Itaú de Minas tem nove escolas municipais - incluindo duas creches -, uma estadual de ensino médio, uma ligada a uma cooperativa, uma particular e uma de curso técnico.

A cidade
Segundo o último censo do IBGE, de 2010, Itaú de Minas tem 14.945 habitantes. A história da cidade funde-se com a história de sua indústria cimenteira. No município, encontra-se a maior fábrica de cimento e cal da América Latina. E, confirmando sua vocação industrial, a região possui uma importantes jazidas de calcário. O povoado formou-se em torno de uma estação de mesmo nome. Em 1943, foi criado o distrito com a denominação Itaú de Minas, pertencendo ao município de Pratápolis. Foi somente em 1987, que a cidade ganhou autonomia político-administrativa, tornando-se município.

Fonte: Especial para Terra
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