Japão: intercâmbio custa 1 ano de escola no Brasil, mas compensa

22 fev 2011
08h49
atualizado às 10h46

Cartola - Agência de Conteúdo
Especial para Terra

Às 6h, Mariana Kamimura já estava de pé. Nessa hora, o sol estava começando a nascer em Matsuyama, província de Ehime, no Japão. Depois de vestir o uniforme da escola, a estudante de então 17 anos estava à espera do transporte que a levaria até o centro da cidade. Às 7h30 em ponto, Mariana estava sentadinha em seu lugar, porque a aula já ia começar. Ao mesmo tempo, do outro lado do mundo, os pais e a irmã mais nova da estudante estavam preparando o jantar na pequena cidade de Lorena, Interior de São Paulo.

A brasileira Mariana é uma entre os poucos estudantes que optam por participar do programa de high school no Japão - onde se passa de um a dois semestres estudando em uma escola de ensino médio do país.

Segundo Tânia Minto, gerente de produto da Experimento Intercâmbio Escolar, a média de procura por este programa no Estado de São Paulo, onde a colônia de descendentes de japoneses é uma das maiores do País, é de quatro a cinco alunos por ano, enquanto que a solicitação por high school em cidades norte-americanas é de 200 a 300 no mesmo período de tempo. Segundo ela, os motivos que explicam os baixos números são a dificuldade da língua e o fato de o estudo lá não ser reconhecido como equivalente a um ano de ensino médio brasileiro.

"Justamente pelo fato de a língua japonesa ser extremamente complicada para os brasileiros fica muito difícil para a própria escola japonesa definir notas e atribuir valores para o desempenho do aluno. Então o programa vale muito mais pela experiência, amadurecimento e aprendizado da língua", explica Tânia.

Mariana, hoje com 18 anos, participou do programa depois de completar o segundo ano do ensino médio. Para o que pra muitos significaria a perda de um ano, para ela foi um ganho: "Eu não perdi um ano, eu ganhei. Passei um ano em um país diferente, cheguei lá com japonês básico e voltei para o Brasil com o idioma avançado. Sem falar nas experiências culturais que tive. Mas como tudo tem consequência, a minha foi me formar no colégio um ano depois do previsto", diz a estudante, que foi aprovada este ano no Curso de Letras da USP.

Entre as tantas experiências e possibilidades que o país oriental pode oferecer, a rigidez do ensino e a receptividade do povo foram o que mais marcaram Mariana, e de forma positiva. "Eu começava a estudar as 7h30 da manhã e só saia da escola às 15h da tarde. Nesse período, entre uma disciplina e outra, tínhamos uma hora de leitura, horário do almoço e limpeza da classe. Sim, nós que tínhamos que limpar nosso ambiente de estudo", conta, destacando que cada dia um aluno era responsável por algo - varrer o chão, limpar a janela, retirar o lixo, por exemplo. Além disso, a hierarquia dentro da escola chamou atenção da aluna, acostumada com a camaradagem entre estudantes e professores no Brasil: "Lá professor era professor e aluno era aluno, não existia nenhuma relação de amizade, somente de respeito", afirma.

Porém, o que mais surpreendeu Mariana foi a alegria do povo japonês. "Pelo fato de saber que o sistema de ensino era extremamente rígido, cheguei lá imaginando que as pessoas seriam muito reservadas e introspectivas. Foi o contrário. A alegria e a boa receptividade dos japoneses fez que eu me sentisse em casa já nos primeiros dias da viagem", diz a estudante que morou com um casal de japoneses e dois intercambistas - um italiano e um alemão.

A gerente de produtos da Experimento, Tânia Minto, aconselha o programa de high school no Japão para alunos que se interessam pelo idioma e que já conhecem o básico da língua. "Fazendo este programa o estudante básico vai se tornar avançado, ou até mesmo fluente. Além disso, a experiência garante amadurecimento e um belo choque cultural para o intercambista", conclui.

Colegas se despedem de Mariana no ultimo dia de aula no Japão
Colegas se despedem de Mariana no ultimo dia de aula no Japão
Foto: Arquivo Pessoal / Divulgação
Fonte: Especial para Terra
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