Após fim da greve, serviços da USP permanecem sem funcionar

02 de julho de 2009 • 09h34 • atualizado às 09h42

Mesmo após o fim da greve de professores e funcionários da Universidade de São Paulo (USP) na tarde da última terça-feira, restaurantes universitários (bandejões) e ônibus circulares permaneciam sem funcionar ontem. Segundo a reitoria da Universidade, os dois principais serviços afetados pela greve passam por revisão e limpeza e ainda não têm previsão de retorno. As informações são da Folha de S. Paulo.

As aulas também não retornaram na maioria dos cursos paralisados pela greve dos professores, iniciada em 5 de junho. Só na Faculdade de Educação as atividades já haviam retornado normalmente, de acordo com a diretoria da unidade.

Também na última terça, por uma diferença de três votos, os estudantes decidiram em assembleia continuar com a greve. Segundo um dos representantes do Diretório Central dos Estudantes da USP, Gabriel Casoni, 150 alunos votaram pela continuidade da greve e 147 foram contra.

"A maioria decidiu continuar, por considerar que não tínhamos conquistado as reivindicações necessárias", disse Casoni. Nas próximas semanas, os cursos devem realizar assembleias separadamente e, no dia 14 deste mês, haverá assembleia geral pata decidir os rumos da paralisação.

Ontem as faixas que divulgavam a paralisação nas faculdades foram retiradas. De acordo com o DCE (Diretório Central Estudantil da USP), é provável que os alunos decidam nas assembleias de cada curso suspender a greve.

De acordo com nota da Associação dos Docentes da USP (Adusp), na assembleia de terça-feira, que decidiu o fim da paralisação, os professores aprovaram uma agenda de mobilização para o segundo semestre, incluindo eleições para reitor e suspensão de processos contra funcionários e estudantes.

Eles pretendem também manter a oposição ao projeto de educação a distância da USP (Univesp) e a luta contra a reforma da carreira de docente, aprovada pelo Conselho Universitário. Os professores devem ainda retomar as reivindicações salariais no segundo semestre e repor as aulas que não foram dadas no período da greve.

Comunicado emitido pela reitoria da USP afirma que o fim da paralisação é resultado de acordo entre as comissões de negociação da reitoria e de greve dos servidores técnicos e administrativos da universidade. O acordo, diz a nota da reitoria, atende à pauta específica de reivindicações dos funcionários, com "reajuste nos benefícios oferecidos pela instituição, criação do auxílio educação especial, destinado os portadores de necessidades especiais", e criação de uma comissão de representantes da reitoria e dos servidores para tratar de temas relacionados à área de saúde.

Esse acordo prevê a reposição dos dias parados por meio de trabalho-atividade, sem que os dias sejam descontados. Os funcionários tiveram aumento de 6,05%, mesmo valor negociado em maio. Segundo a reitoria da USP, o aumento pedido pelos grevistas era inviável, porque comprometeria mais de 90% do orçamento das três universidades federais paulistas, o que impediria investimentos em outras áreas. Atualmente a folha de pagamento representa mais de 80% do orçamento.

O diretor do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), Aníbal Cavali, disse que os funcionários optaram pelo fim da greve por acreditarem que o movimento já não tinha a mesma participação e por considerarem que parte das reivindicações foi atendida. Segundo ele, a reitoria concordou em elaborar novo plano de cargos e salários, com a participação dos funcionários no processo, já que o que foi feito pela reitoria não atendia aos interesses dos trabalhadores, que pediam alteração na nomenclatura de algumas funções e que não fossem punidos os que participaram da greve.

"Além disso, tivemos aumento de 15% no vale-refeição, 25% no vale-alimentação, aumento no auxílio creche e o auxílio educação especial", acrescentou Cavali.

Os funcionários pediam reajuste de 16% e a readmissão de um sindicalista demitido por justa causa, o que depende de decisão da Justiça.
Redação Terra
 
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