Alunos cegos enfrentam dificuldades em escolas brasileiras

23 de fevereiro de 2009 • 07h50 • atualizado às 15h44
Comissão defende que deficientes visuais recebam tratamento inclusivo, com livros transcritos em braille, equipamentos adaptados e professores ... Foto: Getty Images
Comissão defende que deficientes visuais recebam tratamento inclusivo, com livros transcritos em braille, equipamentos adaptados e professores capacitados
23 de fevereiro de 2009
Foto: Getty Images

Apesar de considerar que o sistema braille já está universalizado no país, Regina Caldeira, da Comissão Brasileira do Braille e da Comissão Latino-Americana para Difusão do Braille, alerta que a aceitação obrigatória de crianças cegas nas escolas não é suficiente.

Para ela, é preciso que o deficiente visual seja tratado dentro das mesmas condições que o aluno que enxerga - com livros transcritos, equipamentos adaptados e professores devidamente orientados.

Em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional, Regina lembrou o bicentenário de aniversário de Louis Braille, criador do sistema. Quase 200 anos após o surgimento do braille, ela avaliou que o mercado brasileiro de publicações parece não estar preparado para atender a demanda de livros transcritos.

O caminho a ser percorrido pelas editoras, segundo Regina, é longo. Ela mesma considera a transcrição de livros para o braille uma tarefa difícil - além dos caracteres, é preciso trabalhar todas as vantagens disponíveis na leitura e na escrita visual, que incluem ilustrações, gráficos, mapas e simbologias.

"É um pouco mais demorado que a produção de livros comuns. Isso faz com que nem sempre a criança cega que está na escola tenha o livro a tempo como as crianças que enxergam. Se não houver tudo isso, de nada adianta ela estar na escola", afirmou.

Questionada sobre as tecnologias à disposição do sistema braille, ela avaliou que o avanço tecnológivo existe, apesar de não chegar a todos. Atualmente, os livros são produzidos por meio de impressoras automatizadas capazes de reduzir o tempo gasto na produção da publicação.

Em relação a facilidades como a utilização de programas de computadores desenvolvidos para pessoas cegas, Regina destacou que os instrumentos servem apenas para auxiliar ou complementar a educação, mas que não devem substituir os livros transcritos ¿ da mesma forma como não o fazem no caso de pessoas que enxergam.

"Ao utilizar o computador, a pessoa cega vai simplesmente ouvir e, portanto, o braille continua sendo indispensável. Ele permite esse contato com a escrita e com a leitura, que contribui para a formação intelectual de qualquer ser humano", disse.

Regina, como deficiente visual, atesta que o aprendizado do braille não é difícil e que, até 1825, quando Louis Braille apresentou a primeira versão do sistema, várias outras tentativas já haviam sido feitas.

Por meio do braille, a pessoa cega consegue reconhecer o caractere tocando-o apenas uma vez - baseada na combinação de seis pontos que permitem a composição de todas as letras do alfabeto, de números, de sinais de pontuação e de acentuação gráfica."Passados mais de 180 anos, o braille continua atendendo plenamente as necessidades de escrita e leitura das pessoas cegas", afirmou.

Desde o dia 4 de janeiro deste ano - aniversário de nascimento de Louis Braille - esta sendo vendido nas agências dos Correios um selo comemorativo do bicentenário do criador do sistema.

No Congresso Nacional, um projeto que tramita no Senado prevê a criação do Dia Nacional do Braille, a ser comemorado em 8 de abril. Há planos ainda para que seja realizada uma semana nacional em comemoração à data, marcada para o mês de agosto, com o objetivo de instruir professores, pais e alunos.

Agência Brasil
 
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