Professores recebem formação para dar aulas no campo

20 de novembro de 2008 • 12h19 • atualizado às 12h19

Na última semana de outubro, teve início o curso de licenciatura em educação do campo, no campus de Planaltina da Universidade de Brasília (UnB). O curso, que conta com a participação de 55 alunos, tem duração de quatro anos e adota a estratégia de tempo-escola e tempo-comunidade.

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A tática prevê que os alunos passem cerca de 60 dias na instituição, em regime de internato, com oito horas diárias de atividade, e 120 dias na comunidade onde vivem. No período de aulas, deverão ficar hospedados na Escola Técnica de Planaltina.

A coordenadora de licenciatura da UnB, Mônica Castagna Molina, explica que a idéia do curso é garantir que o acesso à educação superior não obrigue os estudantes a deixar de viver no campo.

Lucimário do Carmo de Paula, um dos 55 alunos da licenciatura, sabe da dificuldade que será ficar longe da mulher e dos dois filhos, mas diz estar convicto de que o sacrifício irá valei a pena. "A saudade dói, mas temos de nos arriscar para garantir um futuro melhor para nós e para a nossa comunidade", afirmou o estudante que mora em Formosa, no interior de Goiás.

Mônica explicou a assessoria de imprensa do Ministério da Educação (MEC) que os estudantes são oriundos da área rural e querem atuar no campo. "Essa licenciatura é parte da estratégia do governo federal de criar táticas para possibilitar a expansão da oferta da educação básica no campo, formar mais educadores e garantir que tenham a titulação exigida pela legislação educacional brasileira".

O curso formará educadores para trabalhar nos anos finais do Ensinos Fundamental e Médio. A novidade é que a formação é para a docência multidisciplinar. O diplomado será habilitado para atuar como professor em uma das grandes áreas do conhecimento (artes, literatura e linguagens e ciências da natureza). Poderá, assim, lecionar em mais de uma disciplina da área que escolher.

Rosana da Silva Moreira, moradora do assentamento Antônio Conselheiro e aluna do curso, tem a expectativa de, depois de formada, levar um ensino melhor a quem mora no campo.

Já a moradora da comunidade calunga de Engenho II, em Cavalcante, Núria Renata Alves Nascimento, afirma que o campo precisa deste tipo de profissional. "A zona rural precisa de professores que gostem de estar lá e que abracem mesmo a causa", destaca.

A iniciativa faz parte de um projeto do Programa de Apoio à Formação Superior em Licenciatura em Educação do Campo (Procampo), da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação (Secad). Além da UnB, participam do Procampo as universidades federais de Minas Gerais, da Bahia e de Sergipe.

Redação Terra
 
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