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Aílton Martins Pereira, 18 anos, é um deles. Ele desenvolveu a capacidade de estudar em grupo no Cursinho da Poli, de São Paulo. "Se você estuda sozinho, vai tirar a dúvida com quem? Em grupo, o seu colega pode não ser um expert, mas já ajuda", comenta.
O estudo em grupo é estimulado pelos professores. A coordenadora pedagógica do cursinho, Alessandra Venturi, diz que "muita gente acha que sabe estudar, mas na verdade não encontrou ainda o seu método". Há quem anote, quem prefira ouvir e quem faça tudo ao mesmo tempo, o que nem sempre funciona. "Não é que o aluno não saiba o conteúdo: é a forma de estudar que atrapalha", afirma Alessandra.
A dica é, assim que começarem as aulas, listar o seu dia-a-dia de estudos. "Primeiro, tem que colocar no papel como é a rotina, de segunda a domingo: vem para a aula, estuda à tarde, até que horas. A partir daí, a gente analisa junto se é um estudo de quantidade ou de qualidade", explica Alessandra. Ou seja: não adianta nada estudar em casa das 14h às 20h se toda hora o aluno é interrompido pela mãe, pelo cachorro ou pelo amigo no msn.
Lá, os grupos de estudo acontecem em horários opostos aos das aulas regulares. Quem estuda de manhã, pode freqüentar os grupos à tarde; já quem estuda à noite, tem a opção de se reunir aos fins de semana. Aílton, que trabalha durante o dia e tem aulas à noite, se encontra com os colegas nos finais de tarde. "O fim de semana é para descansar", garante.
Não é fácil aprender a trabalhar em grupo, já que fica bem mais fácil de se distrair. Aílton lembra que sempre tem alguém para querer comentar como foi o jogo de futebol que passou na TV, por exemplo. Mas há maneiras de driblar a falta de atenção. "A gente estuda na biblioteca, onde não dá para falar alto. E com um orientador, para dar uma fiscalizada", explica.
A coordenadora do cursinho da Poli concorda que estudar em grupo é complicado, mas todo mundo pode aprender. "Não é fazer uma roda de amigos. Aliás, os colegas de grupo não são necessariamente amigos", afirma. Para garantir a organização dos grupos, eles são formados, na Poli, por quatro ou cinco alunos, no máximo. Além disso, como disse o Aílton, sempre tem um orientador, que pode ser um professor ou um monitor, que é um estagiário de faculdade. Tudo com o intuito de segurar a bagunça.
Para Alessandra, no entanto, talvez mais importante que o aprendizado para o Enem, é o ensinamento do trabalho em equipe que os estudantes estão recebendo. "Nestes grupos, eles aprendem outras habilidades: respeitar a opinião do outro, questionar a opinião do outro, a ter desenvoltura e postura. Isso é o que vai diferenciar essas turmas na hora de procurar emprego", aposta.
Redação Terra