MEC estimula formação de professores em faculdades públicas

26 de junho de 2008 • 16h50 • atualizado às 16h50

As universidades públicas federais e estaduais de todas as regiões do País têm até a próxima segunda-feira para enviar ao Ministério da Educação (MEC) projetos de cursos de licenciatura em educação do campo. Para incentivar a abertura de cursos com conteúdos específicos sobre as temáticas do campo, o MEC vai repassar às instituições R$ 4 mil por aluno por ano, durante quatro anos.

De acordo com Armênio Schmidt, diretor de educação para a diversidade da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad), a expectativa é que pelo menos 20 instituições apresentem planos de trabalho para abertura dessas licenciaturas.

As universidades podem oferecer cursos em mais de um município e também podem fazer parcerias. Os recursos repassados pelo MEC poderão ser utilizados de diversas formas - entre elas, para hospedagem e alimentação dos estudantes, criação de acervos bibliográficos específicos, custeio de despesas dos tutores.

Para atender as escolas rurais com professores devidamente habilitados, explica Schmidt, o país precisa formar 20 mil professores. As maiores carências de graduação específica do campo estão nas regiões Nordeste e Norte. O objetivo do MEC é que, a partir desses cursos incentivados, as universidades públicas coloquem nas suas grades cursos nas temáticas do campo. "Que entrem nos planos do Reuni e na matriz da Andifes como cursos regulares", explicou o diretor.

Piloto
A ampliação das licenciaturas em educação do campo se desenvolverá a partir de um projeto piloto que está sendo testado pelas universidades federais de Brasília (UnB), de Minas Gerais (UFMG), da Bahia (UFBA) e de Sergipe (UFSE), pioneiras nesse tipo de formação. As quatro universidades têm hoje nas salas de aulas 220 alunos, entre professores sem graduação, educadores populares e de movimentos sociais e sindicais do campo, de suas respectivas regiões.

Esses professores se habilitam para trabalhar nos anos finais do ensino fundamental e ensino médio nas escolas rurais. A UnB está com inscrição aberta na Internet (http://www.cespe.unb.br/vestibular/educacaodocampo2008/), até 1º de julho, para a segunda turma do programa. São 60 vagas para alunos da região Centro-Oeste. O curso será oferecido no campus de Planaltina.

O modelo básico do curso - tempo de duração, currículo e regime de alternância - deve ser seguido pelas universidades que participarão da expansão da educação no campo. O curso será de quatro anos, desenvolvido em oito etapas semestrais.

A formação se alterna em etapas presenciais denominadas Tempo-Escola, que acontecem em regime de internato, com 8 horas diárias de atividades num período que varia de 40 a 60 dias por semestre, e fases em que os alunos aplicam a teoria à prática, desenvolvem pesquisas ou mobilizam a comunidade onde residem e trabalham, que são chamadas Tempo-Comunidade.

Armênio Schmidt explica que o projeto pedagógico é inovador. O Programa de Apoio à Formação Superior em Licenciatura em Educação do Campo (Procampo) pretende articular conhecimentos teóricos e prática.

Para atingir esse objetivo, a licenciatura é multidisciplinar com abordagem de quatro áreas: linguagens e códigos, em que o aluno adquire formação para trabalhar em Português, Literatura e Artes; Ciências da Natureza e Matemática, que capacita para lecionar Matemática, Química, Física e Biologia; Ciências Humanas e Sociais, para trabalhar com Filosofia, Sociologia, História, Geografia; e Ciências Agrárias.

O cadastro das instituições na Rede de Educação para a Diversidade deve ser feito pela Internet, mas os planos de trabalho devem ser enviados pelos Correios, conforme o edital, disponível no endereço eletrônico http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/edital_procampo.pdf.

Redação Terra
 
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