O português Alberto Amaral falou sobre o Tratado de Bolonha, que tem o objetivo de reorganizar o ensino superior na Europa |
Atual diretor do Centro de Investigação de Políticas do Ensino Superior (CIPES) de Portugal e ex-reitor da Universidade do Porto, o convidado apresentou uma visão crítica do acordo integrado por 46 países.
Assinado em 1999, por ministros da Educação de 29 países, o documento realiza ações conjuntas de ensino superior nos países da União Européia, além de elevar a competitividade internacional do sistema europeu de ensino, assegurando que este adquira um grau de atração mundial semelhante ao das suas tradições cultural e científica.
Alberto Amaral explicou que o Processo de Bolonha adota um sistema baseado em ciclos de estudos, sendo o primeiro licenciatura, com a duração mínima de três anos, e o segundo mestrado, com a duração de um ano e meio a dois, totalizando cinco anos de formação.
Estabelece também um sistema de créditos transferíveis e acumuláveis (ECTS), comum aos países europeus, para promover a mobilidade (acesso às oportunidades de estudo e formação) de estudantes, professores, pesquisadores e técnico-administrativos, além de promover a cooperação européia na avaliação da qualidade.
Segundo o palestrante, "o que está por trás de Bolonha são os problemas dos salários europeus muito elevados, agravados pelo que resta do sistema da Previdência, os quais prejudicam a posição da Europa no novo sistema de competição econômica global".
O professor acredita que Bolonha vai permitir, por um lado, diminuir os custos de mão-de-obra, e por outro, fazer baixar os encargos públicos com o Ensino Superior, "de forma bem mais eficaz do que um simples aumento das taxas e mensalidades".
Amaral chamou a atenção para a substituição crescente do termo "emprego" por "empregabilidade". Ou seja, o primeiro ciclo de estudos, com relevância para o mercado de trabalho, será financiado pelo Estado. Contudo, serão os estudantes a pagar o ensino pós-graduado (2º ciclo) como forma de ele próprio "zelar pela sua empregabilidade".
Redação Terra