Alunos projetam dessalinizador inédito no País

15 de junho de 2008 • 10h08 • atualizado em 16 de junho de 2008 às 15h12
Aparelho mede 3 metros de comprimento Foto: Divulgação
Aparelho mede 3 metros de comprimento
13 de junho de 2008
Foto: Divulgação

Estudantes do curso de engenharia da Fundação Centro Universitário da FEI (Fundação Educacional Inaciana), de São Paulo, projetaram um equipamento capaz de tornar a água do mar apropriada para o consumo. Inédito no País, considerando sua capacidade e aplicação, o aparelho foi desenhado para ser instalado em pousadas ou hospitais de praias, que podem se tornar auto-suficientes em relação ao abastecimento de água.

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De acordo com o grupo que criou o aparelho, os equipamentos similares em funcionamento no Brasil são de grande porte, com capacidade mínima de 40 m³ ao dia e utilizam água salobra e não do mar como o imaginado pelos estudantes. A criação dos estudantes, com 3 metros de comprimento, tem capacidade de gerar 20m³ de água por dia.

"O dessalinizador para água salobra gasta menos energia. No entanto, são tecnologias diferentes e pressões diferentes", explica Rodrigo Gomes Telli, 24 anos, estudante do último ano de Engenharia Mecânica da FEI, que sugeriu ao grupo de colegas o tema do trabalho. O projeto foi exposto na XXII Expo MecPlena, uma mostra dos projetos de formatura de estudantes de Engenharia Mecânica, realizada em São Bernardo, São Paulo.

A dessalinização ocorre por osmose reversa. Após ser retirada do mar, a água passa por um processo de pré-filtragem para a remoção de resíduos mais concentrados.

Após a filtragem - passagem por várias membranas associadas -, a água sai com uma concentração menor ou igual a 0,25 g de sal por litro, considerada ideal para consumo humano pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

O aparelho consegue fornecer um litro de água potável de cada dez litros que entram no sistema e descarta no mar a água restante. "Há muitas décadas se estuda o uso de dessalinizadores", afirma o professor de Engenharia Mecânica Carlos Donizetti de Oliveira, orientador do projeto. "Havia muita resistência ao projeto no início, porque muitos pensam que não precisamos de dessalinizadores no Brasil".

Retorno garantido
Os estudantes calcularam os custos da construção, implantação e manutenção do aparelho para um possível cliente da região litorânea de Ilha Bela, que tem grande fluxo de pessoas em determinadas épocas do ano.

"Fizemos um cálculo com base nos custos de água da Sabesp, que cobra R$ 7,66 por m³ em sua tarifa mais cara. O investimento inicial, de R$ 54,5 mil, seria amortizado em 27 meses, se o usuário utilizasse a capacidade máxima do equipamento diariamente", afirmou Telli. Ao final de três anos de uso, o cliente já estaria economizando R$ 17,8 mil reais, se seguir com o uso do equipamento em potência máxima.

Os estudantes estimam que a máquina funcione até três anos sem precisar trocar nenhuma peça. Por enquanto, o projeto só existe no papel, mas Telli afirma que o aparelho poderá ser montado caso surjam empresas interessadas.

O uso de dessalinizadores é muito difundido em regiões onde há pouca água doce disponível, como em Israel, que tem a maior planta de dessalinização do mundo, produzindo até 330 mil m³ ao dia.

Redação Terra
 
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