Para Eclícia Pereira, professora de redação do curso pré-vestibular da Poli, em São Paulo, é necessário que o vestibulando construa um texto no qual as idéias estejam bem organizadas, de acordo com os princípios de coerência e coesão. Deve também presentar argumentos bem fundamentados e expressar o ponto de vista que está sendo defendido.
Além disso, é importante adotar uma postura crítica ao apresentar as idéias, mostrar habilidade para selecionar e organizar as informações pertinentes à discussão, assim como manter a boa articulação dos argumentos. O último aspecto a ser considerado é a proposta de intervenção para o problema abordado, que deve estar articulada ao restante do texto.
"É essencial que o candidato leia e escreva bastante em todos os momentos da vida para já ir treinando para o vestibular. Dessa forma, o aluno poderá definir o seu estilo e dar mais expressividade ao texto", lembra. "O repertório textual será muito mais enriquecido, aumentando o leque de escolhas para apresentar na hora de fazer a redação".
A professora informa que grande parte das principais instituições de ensino superior de São Paulo utilizam os mesmos critérios na avaliação da dissertação: o texto deve estar adequado ao tema que foi proposto, conhecimento estrutural, capacidade de argumentação e exposição dos pontos de vista, aspectos relacionados à linguagem, gramática, coesão e o equilíbrio da colocação das informações.
Eclícia alerta o vestibulando para que esteja sempre bem informado sobre as questões de cotidiano. "Estar a par dos acontecimentos atuais é essencial, já que os temas costumam girar em torno das questões próprias do dia-a-dia de todos nós", analisa.
No vestibular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a redação tem um limite máximo de 60 linhas para construção do texto. A especialista orienta os candidatos para que tomem cuidado. "O texto mais longo exige uma maior preparação e o aluno pode ter dificuldade em terminar a dissertação, mantendo a coerência das idéias do início ao fim. Geralmente nas redações mais longas os alunos sofrem muito mais", avalia.
Já o professor de Português Eduardo Calbucci, do curso pré-vestibular Anglo, de São Paulo, acredita que a dica mais importante é que o estudante deve ler com muita atenção os exames anteriores ou outros exemplos de redações. "Ele pode aprender tanto o formato da prova, quanto o tipo de tema que costuma a cair nos exames. Ou pelo menos saberá um pouco daquilo que vai encontrar pela frente", analisou.
O professor destacou que não são todos os vestibulares que divulgam com a mesma transparência os critérios de correção. Na opinião dele, antes de qualquer coisa, uma redação deve:
- estar adequada ao tema e ao tipo de texto proposto
- ter coesão
- ter coerência
Estes critérios estão presentes em praticamente todas as grades de correção das universidades de São Paulo. "Os pontos básicos para construir uma dissertação são começar e terminar o texto com a mesma idéia defendida, sem fugir do assunto, e da forma mais organizada possível, respeitando o padrão culto da língua".
Fácil ou difícil?
O coordenador do vestibular da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), Antônio Carlos Jardim, explica que o nível de dificuldade da redação não varia do vestibular de verão para o do meio do ano.
"O vestibular de inverno não é mais fácil ou mais difícil, a diferença é que ele tem uma concorrência consideravelmente menor, o que não quer dizer que o aluno tenha que se preparar menos para o concurso", ressalta.
De acordo com Jardim, "o vestibular de inverno é classificatório e possui um número razoável de questões com um nível de dificuldade pequeno, médio e grande, assim como no processo seletivo de verão".
Redação Terra