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Domingo, 4 de maio de 2008, 20h57 Atualizada às 21h23

Três anos após Katrina, escolas enfrentam adversidades

Nenhuma estrada leva à escola de ensino secundário George Washington Carver. Ela não fica em rua alguma e não tem endereço. Nenhuma placa indica sua existência. Ela é um pouco mais que uma coleção de salas de aula pré-fabricadas, estruturas de aço e madeira flutuando em uma terra de ninguém ao lado da rodovia, e sua vaga localização e a atmosfera de auto-suficiência que ostenta resumem os problemas e promessas do grande experimento em educação acontecendo nesta cidade quase três anos após o furacão Katrina. Não há ginásio ou auditório na Carver, e nos intervalos os 350 estudantes se reúnem em faixas de concreto a céu aberto, em meio às estruturas semelhantes a trailers.

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O único contexto da Carver é ruína - a escola provisória fica em um terreno em frente da construção original, inundada pelo Katrina -, e ainda assim a escola está tentando outra vez, com novos professores e novos métodos, obter o sucesso naquilo em que fracassou seriamente antes da tempestade e imediatamente depois: educar seus estudantes. A Carver High é o desafio da esperança diante de circunstâncias sombrias.

E ela está começando a superar esse desafio. Apesar da desordem em muitas das classes, há também aprendizado acontecendo, em meio à luta. Em uma aula de inglês dada por Courtney Stuckwisch, as marcantes imagens de tempos difíceis que um poema de Langston Hughes evoca causam identificação, e os estudantes estão atentos. Nas aulas de estudos sociais de Colleston Morgan, os estudantes se debruçam com dedicação sobre seus livros, para uma lição sobre oferta e procura.

Por toda a cidade existe um processo de alquimia semelhante. Dúzias de novas escolas públicas experimentais, uma corrente de jovens professores idealistas vindos de todos os cantos do país - agora quase 17% do total, aqui - e um superintendente de reforma competente, oriundo de Chicago, estão todos preparados para salvar um dos corpos discentes mais necessitados dos Estados Unidos. As escolas de Nova Orleans obtiveram os piores resultados em um Estado cujas qualificações educacionais já eram baixas até mesmo antes do furacão Katrina.

Apenas no ano passado, com o recrutamento de reforços, surgiu qualquer coisa parecida com uma estratégia coerente pós-tempestade, para as debilitadas escolas locais. É muito cedo para resultados - os resultados de testes padrão serão revelados em maio -, mas os educadores aqui insistem que existem sinais promissores. No mínimo, a falta de professores e espaços para estudantes foi superada.

Em outro nível a transformação já foi total. Mesmo sem transformações simultâneas na economia e estrutura social mínimas que restaram na cidade, as escolas estão sendo administradas com um vigor que seria irreconhecível aqui antes da tempestade.

Se esse experimento for bem sucedido, ele vai ter conquistado algo raro nos anais das escolas americanas; especialistas acadêmicos não conseguem lembrar de nenhuma campanha tão "radical", nas palavras de um deles. Uma superestrutura educacional, montada em grande parte por cérebros e músculos vindos de fora, se formou para reformar o serviço prestado a um grupo de estudantes que enfrenta anos de atraso, e vive em notável pobreza, em geral vindos de lares desfeitos. Até o ano que vem, esse será o maior distrito no programa Teach for America, dizem os administradores.

Escolas com nomes que refletem o grande número de estudantes negros (Akili Academy, Sojourner Truth Academy) agora competem entre si por estudantes, clamando por matrículas com cartazes nos canteiros gramados das largas avenidas da cidade. Diretores de escolas veteranos, acostumados com os procedimentos preguiçosos do sistema antigo, são rapidamente demovidos se não conseguem se ajustar. "Agora, os dirigentes reconhecem que quem está no prédio é importante", disse Sarah Usdin, fundadora de uma organização sem fins lucrativos que está tendo um papel importante na formulação de uma política. "Eles precisam se mexer".

Conselhos administrados por cidadãos de repente foram incumbidos de gerenciar escolas individuais por toda a cidade. Professores neófitos recém-saídos da faculdade instruem estudantes às vezes mais velhos do que eles. Uma larga gama de estilos de ensino foi empregada, dos métodos baseados em memória de pergunta e resposta criados pela Fundação KIPP a abordagens mais tradicionais, usando livros didáticos. Pela primeira vez, pais estão sendo convidados a escolher as escolas que preferem para suas crianças (apesar de em muitos casos os pais estarem ausentes, e o estudante estar sendo criado por parentes).

Sucesso é uma tarefa complicada em um distrito escolar no qual 85% dos cerca de 32 mil estudantes estão de um ano e meio a dois anos abaixo de seu nível. Em um distrito típico, o número seria de cerca de 15%, disse Paul Vallas, o novo superintendente daqui. Pior, um terço dos estudantes de Nova Orleans estão quatro anos abaixo de seu nível, um desafio que Vallas, um veterano das escolas de Chicago e Filadélfia, chama de "extremo".

Perto de comemorar um ano no posto, Vallas se diz encorajado. Sem política em seu caminho - ele não responde ao conselho escolar local, que sempre dificultou a tarefa dos educadores, e nem ao prefeito, mas diretamente ao Estado -, o dirigente está ainda mais livre para planejar esquemas ambiciosos do que nas cidades muito maiores em que deixou sua marca.

"Eu não me canso", se vangloria Vallas. "Causo cansaço aos outros". Com as mudanças e o novo dirigente, os administradores escolares "não poderão mais se esconder na floresta urbana e evitar toda mudança", diz Usdin. "Nunca tivemos tantas mudanças quanto agora".

Tradução: Paulo Migliacci ME

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Lee Celano
/The New York Times
Mesa e prédios estão abandonados Mesa e prédios estão abandonados

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