Professor atribui baixa nota do Enade ao "QI dos baianos"

30 de abril de 2008 • 11h47 • atualizado às 14h51

Fabiane Madeira
Direto de Salvador

Bahia


O professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Antonio Natalino Manta Dantas, atribui ao "baixo QI dos baianos" a nota 2 obtida pelo curso no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) e no Indicador de Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado (IDD). O reitor da universidade convocou o diretor da Faculdade de Medicina para uma reunião e deverá se manifestar hoje à tarde.

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"Há uma inferioridade dos alunos baianos em relação aos outros. A prova foi uma mostra disso", disse Dantas, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo. Para o professor, "o baiano é uma pessoa igual a qualquer outra, mas talvez tenha déficit em relação a outras populações. Não temos aquele desenvolvimento que poderíamos ter. Se comparados com os estados do Sul, vemos que a imigração japonesa, italiana e alemã foram excelentes para o país. Aqui ficamos estagnados". Dantas é baiano e formando na própria UFBA na década de 60.

O professor disse ainda que o sistema de cotas para afro-descendentes pode ter contribuído para o mau desempenho. "A prova foi feita com alunos do primeiro semestre e do último semestre. Pode estar havendo uma contaminação das cotas e influência da transformação curricular nesse resultado".

Ainda na entrevista, Dantas afirmou que a tradicional percussão do Olodum é um "barulho" e que um dos símbolos da Bahia, o berimbau, é um instrumento para pessoas pouco inteligentes. "O berimbau é o tipo de instrumento para o indivíduo que tem poucos neurônios. Ele tem uma corda só e não precisa de muitas combinações musicais", disse.

Procurado pela rádio Band News, o reitor da UFBA, Naomar de Almeida Filho, classificou as declarações de Dantas como "racistas e ignorantes". O reitor convocou o diretor da Faculdade de Medicina, José Tavares Carneiro Neto, para uma reunião de emergência na qual deverá pedir providências em relação à postura de Dantas. O reitor, que é favorável às cotas, deve se manifestar à tarde.

O curso de medicina da UFBA será supervisionado pelo MEC, junto com outras 16 instituições que obtiveram notas baixas nas avaliações federais. A faculdade de Medicina da UFBA foi a primeira instalada no País e completou 200 anos recentemente. Entre os formados pela instituição está o falecido senador Antônio Carlos Magalhães.

Redação Terra
 
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