A iniciativa, além de trazer aulas de dança, canto, teatro e percussão, também faz um importante trabalho de conscientização do meio ambiente. Todos os utensílios utilizados para a confecção de tambores, chocalhos e fantasias usadas no teatro são de material reciclado.
O Educação pelo Tambor faz parte do programa Escola Aberta, desenvolvido pela Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad/MEC) do Ministério da Educação (MEC) e conta com apoio da prefeitura municipal de Contagem e da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).
O projeto partiu de uma iniciativa simples para manter as escolas da cidade abertas durante o fim de semana, salvando crianças e adolescentes da região de uma situação de risco social. "Não apenas as que vieram da periferia, mas muitas de classe média também apresentavam desvios, como o preconceito", explicou a coordenadora do programa, Ana Maria Macedo.Ao todo, 20 especialistas trabalham em 10 escolas e na sede do programa. Não só crianças e adolescentes, como também outros membros das comunidades participam. "Com a convivência de pessoas de idades diferentes, o nosso ganho é ainda maior", explicou Ana Maria. A participação é voluntária e as oficinas são realizadas aos sábados pela manhã, das 8h às 12h.
Cerca de 800 pessoas são diretamente atingidas pela iniciativa. A prefeitura da cidade é quem paga os "oficineiros", escolhidos por concurso público. "Foi a maneira que encontramos de ter os profissionais mais qualificados", explicou a coordenadora. São professores de percussão, canto, reciclagem, pedagogos, entre outros.
Os pais acompanham o desenvolvimento de seus filhos e vão às apresentações de música, teatro e canto, feitas em datas especiais como o dia das mães, por exemplo.
Lucros
Mas o projeto Educação pelo Tambor foi ainda mais longe. A sede do projeto, onde as apresentações festivas são realizadas, tornou-se um ponto de encontro, reunindo pessoas de várias partes da cidade e estabelecendo entre elas um saudável intercâmbio, com trocas de relatos e histórias. Isso fez com que moradores que não gostavam de Contagem criassem uma nova identidade com a cidade.
"Tínhamos Belo Horizonte como parâmetro", lembra a coordenadora do programa. "Aos poucos, a cidade foi se tornando diferente, aos olhos dos próprios moradores", analisa.
Redação Terra