A "armadilha" é feita com garrafa pet e uma espécie de rede feita de tecido ou outro tipo de material |
A partir da confecção de "armadilhas" que exterminam as larvas do aedes aegypti, Betina Kappel, que também tem mestrado em Biologia, faz uma campanha de prevenção à doença com os alunos da Escola Ulbra São Mateus, em Cachoeirinha, região metropolitana de Porto Alegre.
A iniciativa de ensinar aos pequenos estudantes como se proteger da dengue ganhou forma depois que a epidemia da doença no Rio de Janeiro começou a preocupar o País, com um saldo de 45 mortes e mais de 43,5 mil pessoas infectadas até agora.
Segundo ela, o trabalho se baseia em uma técnica que a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) criou para ser uma ferramenta auxiliar no extermínio da dengue. "As crianças trazem garrafas pet de casa e montam as armadilhas, utilizando cola, tesoura e uma espécie de rede ou tela feita de tecido ou outro tipo de material", informa.
A cilada pode ser feita da seguinte forma: pega-se a garrafa plástica, corta-se ao meio e cola-se a tela no bico da garrafa. Após isso, coloca-se um pouco de água na parte inferior, e dentro dela, encaixa-se a parte superior de modo que o bico com a rede fique virado para a base da garrafa.
"Ou seja, o mosquito põe seus ovos que acabam caindo na água parada da estrutura. As larvas se desenvolvem para a fase adulta e terminam morrendo por não conseguir escapar através da telinha de proteção", explica.
Após a fase de montagem, a tropa de segurança, formada por 160 crianças, espalham as "garrafas-armadilha" por todos os cantos do longo pátio da instituição. "A partir disso, podemos manter um controle sobre o desenvolvimento de larvas do mosquito", avalia.
Kappel ressalta que além dessa ferramenta simples e barata, as crianças levam para suas residências um folder informativo com todos os cuidados que se deve tomar em casa, como não deixar água parada e usar repelente para evitar que apareçam focos da doença. Na escola, a "brigada contra a dengue", carinhosamente batizada pela professora, inspecionam todos os cantos e setores do colégio para acabar com os focos da dengue em um trabalho totalmente voltado à educação ambiental.
"As crianças já desenvolveram um senso crítico em relação aos cuidados que devem tomar com o mosquito. O trabalho surtiu um efeito muito positivo a partir dessa série de ações de controle que foram tomadas", analisa. De acordo com ela, além de combater a dengue, as atividades trabalham muito bem a questão ambiental na cabeça dos pequenos estudantes, com temas como reciclagem e interação com a vegetação e fauna.
A professora também quer levar a ferramenta de combate à dengue para outro colégio em que leciona, a Escola Martin Lutero, no município de Guaíba, e espera que a iniciativa possa ser adotada pelo maior número de pessoas possível.
"É uma precaução que qualquer pessoa, desde crianças até adultos, pode fazer em casa para combater o mosquito. O ideal é não deixar água parada em nenhum lugar, mas a armadilha já é uma medida a mais para reforçar nossa segurança", completa.
Redação Terra