RS: alunos usam "armadilhas" no combate à dengue

10 de abril de 2008 • 13h39 • atualizado às 15h41
A armadilha é feita com garrafa pet e uma espécie de rede feita de tecido ou outro tipo de material Foto: Divulgação
A "armadilha" é feita com garrafa pet e uma espécie de rede feita de tecido ou outro tipo de material
09 de abril de 2008
Foto: Divulgação

Uma professora de Ciências transformou uma ferramenta usada no combate ao mosquito da dengue no Rio de Janeiro em um mecanismo de aprendizado em educação ambiental para crianças de educação infantil até 4ª série do ensino fundamental de uma escola no Rio Grande do Sul.

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A partir da confecção de "armadilhas" que exterminam as larvas do aedes aegypti, Betina Kappel, que também tem mestrado em Biologia, faz uma campanha de prevenção à doença com os alunos da Escola Ulbra São Mateus, em Cachoeirinha, região metropolitana de Porto Alegre.

A iniciativa de ensinar aos pequenos estudantes como se proteger da dengue ganhou forma depois que a epidemia da doença no Rio de Janeiro começou a preocupar o País, com um saldo de 45 mortes e mais de 43,5 mil pessoas infectadas até agora.

Segundo ela, o trabalho se baseia em uma técnica que a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) criou para ser uma ferramenta auxiliar no extermínio da dengue. "As crianças trazem garrafas pet de casa e montam as armadilhas, utilizando cola, tesoura e uma espécie de rede ou tela feita de tecido ou outro tipo de material", informa.

A cilada pode ser feita da seguinte forma: pega-se a garrafa plástica, corta-se ao meio e cola-se a tela no bico da garrafa. Após isso, coloca-se um pouco de água na parte inferior, e dentro dela, encaixa-se a parte superior de modo que o bico com a rede fique virado para a base da garrafa.

"Ou seja, o mosquito põe seus ovos que acabam caindo na água parada da estrutura. As larvas se desenvolvem para a fase adulta e terminam morrendo por não conseguir escapar através da telinha de proteção", explica.

Após a fase de montagem, a tropa de segurança, formada por 160 crianças, espalham as "garrafas-armadilha" por todos os cantos do longo pátio da instituição. "A partir disso, podemos manter um controle sobre o desenvolvimento de larvas do mosquito", avalia.

Kappel ressalta que além dessa ferramenta simples e barata, as crianças levam para suas residências um folder informativo com todos os cuidados que se deve tomar em casa, como não deixar água parada e usar repelente para evitar que apareçam focos da doença. Na escola, a "brigada contra a dengue", carinhosamente batizada pela professora, inspecionam todos os cantos e setores do colégio para acabar com os focos da dengue em um trabalho totalmente voltado à educação ambiental.

"As crianças já desenvolveram um senso crítico em relação aos cuidados que devem tomar com o mosquito. O trabalho surtiu um efeito muito positivo a partir dessa série de ações de controle que foram tomadas", analisa. De acordo com ela, além de combater a dengue, as atividades trabalham muito bem a questão ambiental na cabeça dos pequenos estudantes, com temas como reciclagem e interação com a vegetação e fauna.

A professora também quer levar a ferramenta de combate à dengue para outro colégio em que leciona, a Escola Martin Lutero, no município de Guaíba, e espera que a iniciativa possa ser adotada pelo maior número de pessoas possível.

"É uma precaução que qualquer pessoa, desde crianças até adultos, pode fazer em casa para combater o mosquito. O ideal é não deixar água parada em nenhum lugar, mas a armadilha já é uma medida a mais para reforçar nossa segurança", completa.

Redação Terra
 
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