Pai vai a SP pedir ingresso de menino na Unip

06 de março de 2008 • 20h52 • atualizado às 20h52

Márcio Leijoto
Direto de Goiânia

Brasil


O empresário William Ribeiro de Oliveira viaja agora à noite para São Paulo (SP) para tentar se reunir com a direção da Universidade Paulista (Unip) e convencê-la a aceitar o ingresso de seu filho - o estudante do quinto ano do ensino fundamental, João Victor Portelinha de Oliveira, 8 anos -, na faculdade de Direito do campus de Goiânia (GO).

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João Victor foi aprovado no vestibular agendado - que permite a realização da prova individual - na última segunda-feira, e pagou a matrícula no valor de R$ 516. Mas na manhã desta quinta-feira o calouro foi barrado pelos seguranças da Unip ao tentar assistir à primeira aula do curso.

"Quero conversar com o presidente da instituição, com o reitor ou alguma autoridade para tentar convencê-los a deixar meu filho estudar lá. Deveriam deixar, só para fazer um teste e ver se tem condições. Se não tiver, ele pára", disse. O vôo está previsto para às 21h de hoje e João Victor viaja com o pai. O empresário disse que passou o dia tentando falar com alguém da instituição, tanto em Goiânia como em São Paulo, mas não teve sucesso.

Somente após a viagem a família vai analisar a possibilidade de entrar na Justiça para garantir o ingresso do filho na faculdade. William disse que a universidade só voltou atrás na matrícula depois da divulgação do caso na imprensa. Antes de embarcar, o empresário reiterou que está disposto a lutar pela matrícula do filho na Unip. "O João Victor está empolgado e determinado".

O pai do menino contou também que o filho já recebeu uma proposta de emprego, um estágio na filial em Brasília (DF) de um escritório de advocacia em São Paulo (SP). O advogado se dispôs a custear os estudos da criança, o que não foi aceito pelos pais. O convite ainda está em análise. "Falei que ia ligar para ele na semana que vem".

João Victor foi convidado por um juiz de Goiânia a conhecer as instalações da Justiça Federal. O garoto foi até o órgão hoje à tarde e, segundo William, recebeu o convite do juiz para, caso consiga ingressar no curso, fazer um estágio com ele.

Apesar do ingresso precoce na faculdade e de ter iniciado o ensino fundamental aos cinco anos de idade - e não aos sete como as outras crianças -, o pai não acredita que o estudante seja superdotado. William diz que o convívio com pessoas mais velhas faz o filho se sair bem nos testes.

Investigação
O ministro da Educação, Fernando Haddad, determinou hoje que o vestibular da Unip seja investigado por técnicos do ministério. O processo inclui 25 questões de múltipla escolha de conhecimentos gerais e uma redação. O tema da redação foi a capa de uma revista que João Victor havia lido dias antes. Para responder as questões, o estudante afirmou que havia chutado a maioria, principalmente as de Química e Física, temas que ele nunca havia aprendido.

Segundo a assessoria do MEC, Haddad afirmou que a aprovação de uma criança em um vestibular "é preocupante" e determinou que o secretário de Educação Superior do ministério, Ronaldo Mota, avalie o teste feito pela Unip. O ministério vai pedir uma cópia da prova para verificar o nível de exigência.

O curso de Direito da Unip em Goiânia tem um baixo nível de aprovação no exame da Ordem dos Advogados do Brasil, segundo a seção de Goiás da entidade. Na primeira fase da última etapa do exame de 2007, o índice de aprovação foi de apenas 20,16%.

A Unip confirmou ontem que o valor pago pela matrícula está a disposição da família, já que a mesma não será efetivada. Mas não comentou as declarações da OAB. Informou também que não tem conhecimento do pedido feito pelo ministro da Educação.

Redação Terra
 
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