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Atualizada às 21h32
Márcio Leijoto
Direto de Goiânia
Mesmo faltando sete anos para concluir os estudos, sua fama de "nerd" deve aumentar ainda mais na escola particular Imaculada Conceição, onde ele é conhecido por ser um bom aluno. Seus colegas de classe estão na faixa dos 10 anos e, mesmo assim, suas notas são boas.
A Unip tem um dos maiores campus do País - entre as instituições particulares de ensino superior. Foi tudo muito rápido. Na quinta-feira da semana passada, João Victor fez a inscrição no vestibular pela Internet.
No dia seguinte, compareceu com o documento de identidade nas instalações da faculdade e fez uma prova de múltipla escolha, mais a redação, em um computador em uma sala sozinho. O resultado veio já na segunda-feira, dia 3: João Victor - que nunca teve uma aula de Física, Química ou Filosofia - estava entre os novos calouros da Unip.
Ontem, os pais pagaram os R$ 506,86 da matrícula, mesmo sem saber se o filho poderá freqüentar as aulas. Hoje o estudante foi na Unip fazer a inscrição.
Em entrevista à imprensa, o garoto disse que achou a prova fácil. Afirmou ter pegado "uns livros" do pai para ler antes do exame, e que fez uma revisão do que aprendeu até então. "Eu fiz uma revisão do que aprendi da 1ª à 4ª série. Não sabia nada de Física, sabia algumas de Matemática e nada de Química", disse.
João Victor disse sonha em ser juiz "quando crescer" e que já se enxerga como um calouro de Direito. Os pais de João Victor esperam que o filho possa cursar a faculdade paralelamente ao ensino fundamental e médio.
O Conselho Estadual de Educação (CEE) informou ontem que o garoto não pode ser matriculado em uma instituição de ensino superior. O artigo 44, inciso II da lei federal 9394/1996 (Lei de Diretrizes de Base da Educação) diz que para cursar o ensino superior é preciso que a pessoa tenha concluído o ensino médio e ser classificada em processo seletivo. Há casos na Justiça, entretanto, de estudantes que ainda não concluíram o ensino médio e conseguem o direito de se matricularem em cursos superiores para os quais foram aprovados.
Indignação
A Ordem dos Advogados do Brasil - Seção de Goiás (OAB-GO) pediu a "imediata intervenção" do curso de Direito da Unip pelo Ministério da Educação (MEC). Em nota à imprensa, a entidade disse que o fato "materializa o alerta que a OAB-GO vem fazendo há tempos sobre a mercantilização do ensino jurídico, que não está sendo tratada pelas autoridades com a devida urgência que requer".
A OAB-GO não descarta a possibilidade de casos semelhantes na Unip e pede uma investigação do MEC.
Em um primeiro momento, a assessoria da Unip informou que o estudante participou do vestibular na condição de treineiro, "numa prática adotada por várias universidades públicas e privadas". Mas depois, ao ser informada que os pais do garoto já fizeram a matrícula, a universidade afirmou que vai devolver o dinheiro pago porque o garoto não tem o diploma de conclusão do ensino médio.
Os pais não informaram se pretendem recorrer na Justiça caso a faculdade não aceite a inscrição.
A assessoria da Unip não considerou que a aprovação de João Victor se deva ao baixo nível de exigência do processo seletivo e, sim, à inteligência do estudante.
"O desempenho do estudante, levando em consideração sua idade e escolaridade, foi bom, especialmente na prova de redação, em que revelou boa capacidade de expressão e manejo eficiente da língua. Este fato o torna merecedor de um acompanhamento especial em seus estudos".
Redação Terra
João Victor Portelinha de Oliveira, 8 anos, passou no vestibular para o curso de Direito
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